segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Rise of the Planet of the Apes (2011)

   O filme original desta saga estreou em 1968 e rapidamente se tornou num filme deveras respeitado. Sendo assim, quando soube que Rise of the Planet of the Apes ia estrear, não foi difícil para mim colocar a seguinte questão: para quê reinventar um filme que já tinha sido anteriormente reinventado na década de 70 e mais recentemente em 2001 por Tim Burton, ainda para mais quando esta última não foi particularmente bem sucedida? Pensei "secalhar não deviam mexer mais na ferida". Porém, com uma agradável surpresa me deparei, isto porque Rise of the Planet of the Apes revela ser uma lufada de ar fresco, especialmente quando está inserido numa época onde a maior parte dos filmes se têm revelado uma desilusão (este Verão está a ser para esquecer na indústria cinematográfica...). Esta nova série permitiu corrigir alguns erros da série original, no entanto, não está isento de alguns erros fulcrais que não permitem ao filme atingir o estatuto de filme de culto. Mas sobre isso, falarei mais à frente. A história é evidente, para quem conhece a saga. Esta prequela centra-se em Will Rodman (James Franco) um cientista que tem como objectivo encontrar uma cura para o Alzheimer, doença esta que afecta o seu pai (John Lithgow). Para isso, está a desenvolver o produto Alz - 112, e começa os testes em chimpanzés. No entanto, começam a manifestar-se efeitos secundários imprevisíveis, tais como o desenvolvimento de uma inteligência extraordinária. Só que um incidente ocorre que faz com que o projecto seja posto de lado, para desagrado de Will e os seus colaboradores. É ordenado o abate de todos os chimpanzés, só que Will irá em segredo adoptar o chimpanzé Caesar (Andy Serkis), de longe sabendo que estaria a criar o futuro líder da revolução dos macacos.  

   Como em qualquer outra prequela, é inevitável o conhecimento do que vai acontecer no futuro, o que permite acompanhar muito mais de perto o desenvolvimento de Caesar. Esta inevitabilidade revela ser um ponto forte da película na medida em que capta muito mais a atenção dos espectadores. Pessoalmente entristeceu-me um bocado porque ainda rondava os 10 minutos de filme e já estava eu a bradar aos céus "porquê???". Enfim, um pequeno exemplo que demonstra a intensa ligação emocional que se cria com a personagem principal do filme. O argumento é inteligente e bem conseguido, não obstante estar rodeado de clichès, mas é a sua estrutura que me incomoda. Considero que o filme não está bem estruturado sequencialmente, isto porque há segmentos do filme em que são dadas excessiva importância em detrimento de outras. Sendo mais específica, penso que o final do filme é muito apressado, é como se fosse um final "porque sim". Pareceu-me um pouco vazio, e o sentimento de "soube a pouco" é inevitável. Acho que uma pessoa sai do cinema na ideia de que esperava mais da conclusão do filme... No entanto considero que o realizador Rupert Wyatt constrói bem a história de início, na medida em que enriquece bem os primeiros três quartos do filme, com um bom desenvolvimento das personagens que permite ao espectador a tal ligação emocional. 


   E claro está que a espectacularidade do filme reside muito nos seus efeitos especiais. Penso que o CGI está bem utilizado sem nunca se tornar excessivo. Andy Serkis, que anteriormente já tinha trabalhado desta maneira em Lord of The Rings (interpretando Gollum) e em King Kong, ultrapassa completamente qualquer actor sem dizer uma única palavra. Será demais dizer que um actor num fato azul a imitar um macaco é um excelente actor? Evidentemente que não. Andy Serkis proporciona-nos uma brilhante interpretação de Caesar, que deve mesmo ser sublinhada, pois faz o filme todo. Uma mais pobre ou menos realista interpretação da personagem deitaria todo o filme por água abaixo. Há que dar muito mérito a Andy Serkis pela excelente performance. Relativamente a James Franco, acho que foi competente, mas competente apenas. Não me parece que se tenha destacado propriamente, mas esteve bem. 

   Em suma, é um filme de topo que, no entanto, deve emendar alguns erros para assim permanecer, caso se invista numa possível sequela. É um filme que recomendo, deve mesmo ser visto pois é uma obra que se afirma como puro entretenimento. 

EXAME

Realização: 7/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Efeitos/Fotografia: 9/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 7.5/10

Crítica feita por Sarah Queiroz

Informação

Título Original: Rise of the Planet of the Apes
Título em Português: O Planeta dos Macacos - A Origem
Ano: 2011
Realização: Rupert Wyatt
Actores: James Franco, Andy Serkis, Freida Pinto, John Lithgow

Trailer do Filme:

7 comentários:

  1. Ora aí está um filme por que eu não daria nada. Nunca fui muito fã do planeta dos macacos, nem mesmo o original de culto. E ainda mais céptica fiquei depois do Tim Burton por lá ter passado (e nota, eu adoro o realizador). Mas vi o trailer deste filme e parece ter muito mais alma do que o anterior. Se calhar ainda o vou ver...

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  2. Bom saber que o filme não é ruim, mesmo não tendo visto o original, fiquei bastante curioso para conferir este ;)

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  3. Antes de comentar o filme, apenas queria dizer que nunca vi a saga, excepto o do Tim Burton.

    Também vi o trailer antes de ver o filme.

    Começo por dizer que foi um filme que nunca estive à espera de grande coisa. Aliás, não me quero armar em vidente, mas sentia que ia passar o filme a dizer "típico" e que no final ia sentir que era apenas mais um filme, que não era um filme de "jeito", do que um bom filme (a Joana pode comprovar mais ou menos isto).

    Sendo o filme um remake ele acaba por estar limitado a isso mesmo e, logo, não esperava muita originalidade deste filme, a não ser a CGI. É aqui que para mim, que gosto de Sci-Fi, que começa a "descambar". Realmente é um remake e podia dar-lhe esse desconto, mas não dou, porque eu neste género "peço" originalidade e logo aí o filme fica a perder pontos. Pode ser um bom remake, mas é isso mesmo um remake com pouquíssima originalidade e isso "mata" o meu interesse. Por ser um bom remake, não quer dizer que seja um bom filme e não é mesmo um bom filme de Sci-Fi.

    Porque é que não é um bom filme? Não o é, por estar carregado de "típico", na história, nos actores/personagens...
    Nenhuma personagem se “safou” para mim, excepto algumas particularidades do Caesar, pois eram todas "cliché" deste filme "cliché". Podem argumentar que estavam bem se tivermos apenas em conta o grupo "cliché" e aí já concordo, mas eu não tenha apenas esse grupo em conta.
    Quanto aos actores, nenhuma performance boa, devido, mais uma vez, ao "cliché". Talvez o melhor fosse o que interpretava o Caesar, mas duvido sempre da performance quando a CGI entra em cena e nesta personagem foi muito usada (não em demasia). Portanto até que ponto é que o actor foi mesmo espantoso? Não sei.

    O que realmente sobressai neste filme é a excelente CGI e nada mais. O resto já foi ingerido, digerido, defecado e está agora à espera de ser reabsorvido pela natureza, para ser outra(s) grande(s) “coisa(s)”.

    Estou espantado, com as boas avaliações que este filme tem recebido (volto a repetir-me), pois não há nada de espantoso nele sem ser a boa CGI. A não ser que as avaliações apenas tenham em conta que isto é um remake e comparem com o anterior, em vez de o avaliarem como um filme de Sci-Fi apenas, aí já percebo. Como filme de Sci-Fi apenas, não recomendo a ninguém, pois este filme já o vi(mos) muitas vezes.

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  4. @ José: O filme não é um remake, é um reboot. São conceitos bastante diferentes José. É reboot porque foi intenção do autor fazer uma nova film series dos Apes, com conceitos e ideias diferentes. Vou até discordar com a minhã irmã, acho que nem é bem bem uma prequela, porque uma prequela tem uma intenção de depois fazer "ligação" com outros filmes, ao passo que neste caso é mesmo uma nova film series, compreendes ? No entanto, há diversos "símbolos" no filme que prestam uma espécie de homenagem aos outros filmes da saga original.
    "Um remake com pouquíssima originalidade" ? Well, um remake só por si não pode ser muito original, não é? Mas o Rise of the Planet of the Apes, tal como já disse, não constitui um remake.

    Gostei bastante do teu comentário, acho que expressas um bom ponto de vista e consegues defendê-lo bem.Contudo, não acho que o filme seja assim tããããão cliché, mas sim, tem coisas bastante típicas. Tal como a minha irmã disse, este filme tem que emendar alguns erros (a maior parte deles por serem "típicos"); o filme está no estatuto de "blockbuster razoável". Mas não deixa de estar interessante, não é um mau disaster/sci fi movie. Como fã do género Sci-Fi, obviamente que sei reconhecer que nem sequer é um EXCELENTE filme de Sci Fi.

    Vou deixar a minha irmã responder com mais profundidade, dado que foi ela a autora da crítica.
    Obrigada pelo teu comentário!

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  5. Mesmo sendo reboot, nunca poderia sair muito da saga original e mesmo assim de novo este filme não traz coisa alguma, excepto uma CGI boa, que nem é propriamente novidade. Aliás, era fulcral que a CGI assim o fosse, caso contrário o filme perdia o único aspecto notável, na minha opinião.

    Não é assim "assim tããããão cliché"?!
    História/Personagens:
    - Pesquisa ciêntifica no campo da genética that goes wrong terribly wrong (check);
    - Herói brilhante e que salva pessoas/raça oprimida(s) e os "mauzões" saem derrotadas de uma forma lastimável (check);
    - Pessoas/raça estupidamente inferiore(s) em meios/possibilidades levam a sua avante de uma forma heróica, que faz lembrar certos escritores da Antiga Grécia (check);
    - Actriz muito boazinha, que fica muito revoltadinha quando fazem mal a alguém, ou fazem algo de mau e que possui cabeça de vento (check);
    - Actor principal obsessivo pelo seu trabalho, devido a doença dum familiar que pretende curar com a sua pesquisa, passa a pessoa preocupada pela asneira que esta se tornou e revolta-se (check);
    - Situação do familiar deteriora-se, de repente tem uma recuperação fantástica, mas depois algo inesperado (ou não) acontece e tem uma valente recaída (check);
    - Herói despede-se num momento de emoção de uma pessoa muito importante na sua vida (check).

    A partir daqui tudo é "cliché", nem mesmo a linguagem gestual ou a comunicação entre os macacos é novidade... Excepto a CGI, pois a imagem, tal como no Avatar, é independente do cliché do filme. Posso ter o filme mais cliché de todos, mas com uma imagem fantástica, mas que só por si não torna esse filme bom.

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  6. Olá! Adorei seu blog, muito criativo! Também tenho um blog e gostaria que vc desse uma olhada. O endereço é: http://www.criticaretro.blogspot.com/ Passe por lá! Lê ^_^

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  7. José, permita-me referir que alguns dos pontos pré-concebidos na sua crítica estão errados. O primeiro é que, como já foi referido, "Rise of the Planet of the Apes" não é um remake. O segundo é que o remake foi feito, sem sucesso, por Tim Burton em 2001. Esse sim é que é o dito reboot, uma nova história, uma saga com um olhar completamente diferente. O original é de 1968 e é a esse que "Rise of the Planet of the Apes" cola, da mesma forma que "O Dragão Vermelho" cola a "O Silêncio dos Inocentes".

    Mais um cliché? Talvez, se já há prequelas para todas as histórias e filmes... Não deixa de ser interessante e esta é mais uma.

    Veja "O Planeta dos Macacos" de 1968 agora e certamente no final dará muito mais valor a esta "primeira parte".

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