sábado, 15 de setembro de 2012

V/H/S (2012)

Faço parte do grupo que acredita que o género "documentário falso" está completamente saturado. Isto porque o que pretendia ser uma novidade, já nada de novo traz, com a recente vaga de filmes deste sub-género que tem saído. E o resultado é inevitavelmente o mesmo... Somos anualmente invadidos com inúmeros projectos deste tipo, em que a maior parte dos mesmos são de qualidade duvidosa. Disto isto, foi bastante de pé atrás que vi V/H/S, pois mesmo sabendo que tem sido o filme sensação dos festivais de cinema, não quis criar aquela expectativa traiçoeira, considerando mesmo essa pretensão exagerada. O certo é que, após vê-lo, fiquei com a sensação de que apesar de não ser propriamente inovador, consegue destacar-se positivamente dos outros, pois acho que subverte os clichés típicos do género e consegue incorporar tais elementos no argumento de uma maneira inteligente. Para além de ser bastante, mas bastante assustador.

Antes de mais convém referir que o filme é uma antologia, isto é, reúne várias curtas num filme, todas eles ligadas a uma história principal. Essa mesma trata de um grupo de amigos desajustados que invadem uma casa supostamente abandonada com o objectivo de roubar uma determinada fita VHS para alguém que os contratou. Ao chegarem ao local, deparam-se com tudo aquilo menos o que estavam à espera: um cadáver cercado de cassetes e uma televisão. Para descobrirem a tal VHS, o grupo tem que assistir a diversas outras. Claro que não se revelará tarefa fácil, quando cada cassete apresenta um filme mais horripilante do que o anterior... E é dessa maneira que somos apresentados a 5 histórias/curtas diferentes: A primeira retrata um grupo de amigos que sai à noite para se divertir e acaba por ter mais do que espera, a segunda apresenta-nos um casal que vai de férias, a terceira é sobre um grupo de amigos que vai passar uns dias ao pé do lago, a quarta apresenta-nos uma mulher que partilha com o seu amigo através de videoconferência que ouve ruídos, e finalmente a última, sobre um grupo de amigos que vai a uma festa de Halloween demasiado assustadora. Cada história parece que pega nos clichés dos filmes de terror. Temos vampiros, serials-killers, rituais esquisitos, exorcismos, fantasmas, aliens... Enfim, de tudo. Não é propriamente uma surpresa se pensarmos nos trabalhos anteriores dos realizadores. Mas o engraçado é que, tal como em "The Cabin in the Woods", estes realizadores também tiveram a intenção de satirizar o género, adaptando e subvertendo os clichés típicos de maneira muito interessante. Há que dar o mérito pelas maneiras inovadoras que introduziram a câmara, como por exemplo na história pela videoconferência, ou na primeira em que a câmara são os óculos da personagem.

Porém, o principal problema do argumento do filme é que quiseram dar demasiado. Se tivessem tirado uma ou outra curta, poderia ter havido mais tempo para um melhor desenvolvimento e talvez aí chegar-se a um ponto alto. Só que infelizmente, sem detrimento da qualidade das histórias, é inevitável a sensação de vazio... Verdade seja dita, há histórias mais fortes que outras. Vá lá que o lado positivo das antologias é que se não estivermos a gostar muito de uma das histórias sabemos que vem outra a seguir. Se bem que torna-se extremamente cansativo. Pessoalmente, gostei imenso da primeira e da última história. Para ser franca, foram as que me assustaram mais, e têm twists de uma pessoa ficar completamente boquiaberta. Depois temos outras histórias que, sinceramente, em termos de execução falharam redondamente, não obstante a ideia até estar boa. Há uma ou outra que até há uma construção positiva do suspense, mas infelizmente os filmes não vivem das ideias, mas sim da maneira como essas ideias são transmitidas. Tenho quase a certeza que muito boa gente irá criticar o facto de ser uma antologia, ou o facto de algumas situações não serem bem explicadas, etc. No entanto, apesar de considerar que o filme tem, de facto, algumas falhas estruturais a nível de argumento, conseguiu aprofundar o género de uma maneira que nem Paranormal Activity fez, pois V/HS foi mais inteligente ao ser mais dinâmico, apresentando diversos segmentos e diversas possibilidades de explorar esses mesmos segmentos. Só que, como já referi, pode tornar-se cansativo. Tenho que fazer essa ressalva. Mas pelo menos não é tão entediante como alguns títulos... O lado chato do género found-footage é que consegue ser extremamente aborrecido até acontecer alguma coisa. Felizmente, V/H/S até é um filme "despachado".

Em tom de conclusão, V/H/S é uma escolha no mínimo interessante, ao tentar ressuscitar os elementos de terror típicos dos anos 70 e 80, recorrendo ao estilo found-footage, sendo parcialmente bem sucedido. É um filme inegavelmente ambicioso que consegue provocar alguns sustos. Mas não esperem nada de outro mundo; Cumpre minimamente os requisitos e àquilo que se propôs, mas vale a pena ver a uma sexta-feira à noite.

EXAME

Realização: 7/10
Actores: 7/10
Argumento/Enredo: 6/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 6/10

Média Global: 6.4/10

Crítica feita por Sarah Queiroz

Informação

Título original: V/H/S
Título em português: V/H/S
Ano: 2012
Realização: Ti West, Joe Swanberg, Radio Silence, David Bruckner, Adam Wingard e Glenn McQuaid
Actores: Calvin Reeder, Lane Hughes e Adam Wingard

Trailer:

3 comentários:

  1. Hollywood tem o hábito explorar exageradamente um gênero que esteja em alta nas bilheterias. Isso explica esta grande quantidade de "documentários falsos".

    Destes filmes, do que assisti gostei de "Cloverfield" e de "Atividade Paranormal I e II".

    Tenho curiosidade em ver "Rec", tanto o original espanhol como a versão americana.

    Abraço

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  2. Este decepcionou por causa do buzz que tem e dos nomes ligados ao projecto. Não achei o filme mau mas podiam ter menos uma curta que não perdiam nada.

    Ass. Kes

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  3. Assisti o filme Filha do Mal pensando que seria ótimo né...mas foi uma droga...nada daquilo que era oferecido no trailer.aff

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