domingo, 18 de novembro de 2012

Prometheus (2012)


É tipo o 1º Alien, mas a tecnologia é mais avançada e os bichos são menos evoluídos... Wait, what?!

Considero o primeiro Alien um dos melhores sci-fi's de sempre: boa história, óptimos efeitos para a altura (quem é que não se lembra do bicho a sair da barriga do John Hurt?) e a atmosfera de terror/thriller muitíssimo bem criada. Se Ridley Scott não foi o criador do género «sci-fi meets thriller», para mim continua a ser o seu maior mestre. Como tal, quando soube que ia voltar ao género com Prometheus  (uma prequela não directa de Alien, mas que se passa no mesmo universo), até me despertou algum interesse...

O filme centra-se na expedição espacial «Prometheus», que parte da Terra para um planeta distante em busca do maior de todos os segredos (a nossa origem). A missão torna-se num desafio à perseverança e sobrevivência da tripulação quando confrontada com um pesadelo como a humanidade nunca viu.

Já que estamos a falar de sci-fi, começemos pelos efeitos: muitíssimo bons! Vê-se que houve aqui muito trabalho de produção não só por parte da equipa de efeitos digitais, mas principalmente por parte do departamento de Arte. Os objectos (adoro aquelas sondas de mapear do Fifield!) e a tecnologia são fascinantes, os sets têm muita atmosfera, a cultura alienígena está muito «próxima», mas ao mesmo tempo distante da nossa.

Apesar da música ser composta por Marc Streitenfeld (é a quinta colaboração entre este e Scott), não deixa de ser interessante que as três músicas suplementares compostas por Harry Gregson-Williams (principalmente a «Life») sejam as mais memoráveis e associáveis ao filme, assim como ao tema da descoberta (pelo menos para mim...). Considero a banda sonora bonita e até apropriada, mas peca por ser repetitiva (a sério, há pelo menos 3 ou 4 momentos do filme em que se houve a música «Life» ou suas derivadas... torna-se cansativo).

Quanto aos actores, acho que, em geral, foram todos competentes. No entanto, tenho de salientar o papel de Noome Rapace como a Dra. Shaw, que nos dá uma performance muito autêntica, conseguindo passar para o nosso lado o entusiasmo (e depois sofrimento) que está a atravessar. No entanto, acho que o melhor mesmo é Michael Fassbender como o android David, pois consegue ser tão humano, mas ao mesmo tempo tão artificial, o que o torna frio e imprevisível, pondo-nos sempre expectantes. Nem no fim sabemos bem quais os seus últimos propósitos... O único papel que não gostei muito foi o de Charlize Theron como Meredith Vickers. É suposto ela ser uma comandante fria e cheia de resistência, mas depois parece que anda ali a pavonear-se pelas cenas do filme quase sem propósito... Até no filme há uma reviravolta (duas até...) que envolve em parte a sua personagem e que está tão mal feita (as duas reviravoltas, aliás...) que terem ou não acontecido era igual ao litro.

Apesar dos actores estarem bem, há no entanto muitos clichés no que toca a personagens: temos o cientista nerd, o durão, o preto, o asiático, o gajo genérico, a bitch fria, o casal que diz que vai ficar junto para sempre (imaginem lá o que acontece a um deles ou a ambos), a tipa com o sotaque esquisito e até um android que tenta imitar os humanos (o que também já é uma constante em sci-fi. e nos filmes do Alien- o moço não se chama David por nada...). Isto impede as personagens de serem mais memoráveis do que podiam.
Quanto à história, cria-vos muita antecipação e perguntas no início que vocês querem ver respondidas (já para não contar com as que já vinham da série Alien), o que vos desperta interesse. No final do filme nem terão respostas à maioria delas e , provavelmente, terão ainda mais questões do que quando começaram. É óbvio que Ridley Scott se estava a guardar para uma sequela, mas ao mesmo tempo tentou fazer do filme uma obra que pudesse funcionar sozinha (se bem que tal cenário não seria satisfatório e já está acordada uma continuação). O final é muito cliché (muito ao estilo Alien) e até acho que podia ter sido feito de outra maneira que o ligaria melhor ao universo de Alien (mas hey, quem sou eu para decidir?). A última cena mesmo constitui a melhor ligação possível desta película à série Alien e leva-me a concluir (se tal já não se tinha percebido) que este filme é sobre evolução e com possíveis sequelas poderemos chegar ao ponto do «8º Passageiro».

Concluíndo, Prometheus é um filme visualmente bem conseguido, com bons actores e uma história (em geral, com o tal pensamento de se guardarem para sequelas) satisfatória, ainda que povoado com algumas personagens genéricas por quem não nos importamos muito. Para os fãs de sci-fi e de terror, é uma obra a ver. Para os seguidores fiéis dos dois primeiros Aliens (nem quero saber dos seguintes...) é um filme obrigatório! Para toda a gente que goste de histórias com mistério, é um visionamento a considerar.
 
EXAME

Realização: 8/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Banda Sonora: 6.5/10
Efeitos/Fotografia: 8.5/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 6.5/10

Média Global: 7.4/10

Crítica feita por Rodrigo Mourão

Informação

Título em português: Prometheus
Título original: Prometheus
Ano: 2012
Realização: Ridley Scott
Actores: Noomi Rapace, Michael Fassbender, Guy Pearce, Charlize Theron, Logan Marshall.Green, Idris Elba, Rafe Spall, Sean Harris

Trailer do filme:

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