quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Sinister (2012)

Bastou-me ver o trailer para saber que tinha ver que este filme mal saísse nos cinemas. Dos produtores de Paranormal Activity e Insidious? Só podia sair um bom resultado. Mas depois a realidade atingiu-me; Pensei, decerto, que seria um filme assente na típica fórmula de sustos derivados de impacto sonoro e pouco desenvolvimento das personagens, baseado simplesmente no ambiente de tensão que cria, em detrimento de um argumento consistente e sólido. Apercebi-me nesse momento que é uma fórmula cansativa que se está a tornar cada vez mais repetitiva e reciclada. Seria este filme mais outro exemplo? Felizmente, e sublinho que adoro surpresas destas, Sinister arranjou maneira de se soltar das correntes que ultimamente têm vindo a prender o género terror, destacando-se imenso pela positiva.

Porque verdade seja dita, hoje em dia temos vindo a saber o que esperar de filmes deste género, e dificilmente há titulos com aquele elemento surpresa. Mas os argumentistas conseguiram superar, e por muito, a tal "linha que separa" o péssimo do aceitável, pois Sinister traz-nos uma história deveras intrigante que consegue mesmo colocar o espectador na pele da personagem principal. Ellison (Ethan Hawke), um escritor de policiais que decide escrever a história da sua vida e resolve mudar-se com a família para o cenário mais indicado, este sendo uma casa onde uma família foi brutalmente assassinada. Nessa casa, descobre uma caixa com filmes caseiros, em que em cada filme depara-se com as cenas mais macabras em que famílias inteiras são mortas. Decidido a escrever sobre isso e a investigar o que descobriu, irá muito em breve aperceber-se que aquelas filmagens têm algo em comum, e o provável é que a sua família se torne a mais recente vítima daquele lugar de maldição... Não é nada de propriamente original, é certo, mas penso que por vezes é necessário ignorar este facto, para se poder apreciar ao máximo o filme. Porque essencialmente resulta. Apesar de pecar na falta de originalidade, é um filme que ao mesmo tempo consegue ser fresco e revitalizante, numa época verdadeiramente difícil para o género... Mas lá está, há elementos no filme que o enfraquecem na globalidade, pois não permite alcançar o seu verdadeiro potencial. Há determinadas alturas em que o desenvolvimento sequencial das cenas é demasiado lento, sendo mais evidentes as incoerências e falhas substanciais do filme. Mas Derrickson sobrepõe estas falhas ao introduzir uma abordagem bastante interessante ao filme, na sua frenética realização.

E é este ponto que pretendo destacar. A realização de Scott Derrickson é verdadeiramente sublime, sendo dos grandes pontos positivos do filme, isto porque não falha na composição visual das cenas, estas recheadas de elementos sobrenaturais e obscuros, que dificilmente deixarão os espectadores indiferentes. O realizador demonstra mais uma vez o seu talento ao apostar em elementos sinistros, pois não são poucas as cenas bem sucedidas, mesmo que excessivamente escuras. Apesar de ser isso que causa a sensação de tensão que acompanha o espectador durante o filme todo, poderá tornar-se cansativo, pois é usado demasiadas vezes. Debati-me em certas partes do filme para não gritar: "Acende as luzes Ethan!". E claro está, o filme também está envolto numa trilha sonora verdadeiramente arrepiante, o que contribui para exacerbar o ambiente angustiante e de ansiedade que, por vezes, só a imagem não faz acontecer. É que ultimamente temos-nos deparado com aqueles filmes em que não é possível qualquer conexão entre as personagens e o espectador, em que os sustos só se tornam possíveis através da técnica referida do impacto sonoro. Mas é aqui que, novamente, dou o mérito ao realizador Scott Derrickson, pois através da sua realização sugestiva, arranja maneiras geniais e eficazes para conseguir implementar o verdadeiro horror na cabeça dos espectadores. Assim, podem contar com imensos sustos...

Em relação ao elenco, devo dizer que globalmente Sinister apresenta um elenco bastante positivo. Na sua estreia no género, Ethan Hawke proporciona-nos uma estrondosa interpretação, sendo impossível não sentir na pele o que a personagem está a sentir. O desvaneio mental que a personagem vive é algo sem dúvida assustador, e o mérito é todo de Ethan Hawke. Tenho uma especial paixão pelo actor, devo confessar.

Apesar da evidente previsibilidade da trama e conter alguns clichés próprios do género que não permitem obter a Sinister o prémio de originalidade, é um filme que tem os seus trunfos e qualidades, que definitivamente se fazem sobressair, tornando Sinister das grandes surpresas do género terror deste ano. Recomendadíssimo!


EXAME


Realização: 8/10

Actores: 8.5/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 7.5/10

Crítica feita por Sarah Queiroz


Informação


Título em português : A Entidade

Título Original: Sinister
Ano: 2012
Realização: Scott Derrickson
Actores:  Ethan Hawke, Juliet Rylance, Fred Dalton Thompson


Trailer:

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