terça-feira, 18 de junho de 2013

Stoker (2013)


"Do not disturb the family.."

Não há perfeito exemplo hoje em dia de como um realizador pode fazer toda a diferença num filme, como em "Stoker"
A estreia americana do realizador coreano Park Chan-Wook (Oldboy) não poderia ter sido melhor, e graças às suas características particulares, é uma obra visualmente brilhante. Não é segredo que sou acérrima defensora do cinema asiático, e felizmente o realizador não abriu mão da sua essência, tendo acertado gloriosamente neste filme. É dos realizadores com mais atenção ao detalhe que conheço, com movimentações inteligentes de câmara e composição perfeita das cenas. Sendo certo que não é uma película isenta de falhas, tem todos os elementos de suspense que decerto não vão deixar ninguém indiferente. No entanto, muitos dos fãs do realizador poderão ficar ligeiramente desapontados com a falta de profundidade que este filme, infelizmente, padece.

Em "Stoker" acompanhamos os acontecimentos que sucedem após a morte de Richard Stoker, seguindo o luto da jovem India Stoker (Mia Wasikowska), nitidamente perturbada, e Evelyn Stoker (Nicole Kidman), aparentemente desconsiderando tudo o que lhe rodeia. São abruptadamente "invadidas" pela presença de Charles Stoker (Matthew Goode), o enigmático irmão do falecido que até então se desconhecia a existência. Quando ele se muda para casa delas, imensos segredos vêm à tona deste estranho triângulo, em especial o passado obscuro de Charles Stoker.. 

Nicole Kidman e Mia Wasikowksa

O argumento ficou a cargo de Wentworth Miller (conhecido por protagonizar Prison Break), e apesar de ter um potencial inegável, tenho que ser franca; tenho ideia de que não poderia haver argumento mais elementar ou básico, não que seja totalmente mau, mas é demasiado genérico. Sem querer entrar em muitos detalhes para não estragar o visionamento do filme, deparei-me com certas discrepâncias narrativas incontornáveis. Não que, na generalidade, não seja eficiente, e até gostei do pormenor de ser carregadíssimo de duplas conotações, mas há certos acontecimentos durante o filme que não se percebe bem o porquê. Talvez seja intencional, para dar azo a inúmeras teorias, mas acho que poderia ter sido melhor desenvolvido ou explicado, acabando por sofrer de excesso de conteúdo pouco aprofundado. Penso que agora seja mais perceptível o que quis dizer com o filme ter sido praticamente salvo pelo realizador. O argumento é elementar, mas Park Chan-Wook pegou nele e conseguiu elevá-lo para outro nível, tal como era esperado. É uma característica que faz parte da sua assinatura cinematográfica, pois todos os detalhes idealizados pelo realizador quase que ganham força narrativa por eles próprios. 

Isto para não ter que mencionar, pois é efectivamente óbvio, que a fotografia é outro dos pontos fortes do filme. Está absolutamente excepcional e dominante, envolta em contrastes belíssimos. Mas estes são aqueles tais pontos técnicos que evidenciam a extrema qualidade do realizador, que não se poupa a detalhes para nos proporcionar uma verdadeira experiência cinematográfica. Já a banda sonora é outra adição ao leque de qualidades do filme.

Mia Wasikowska e Matthew Goode
Evelyn Stoker, é absolutamente bem interpretada por Nicole Kidman, que faz neste filme um papelão daqueles. Kidman consegue, de maneira perfeita, transmitir o quão problemática, frígida e vazia a personagem consegue ser. E as cenas com Mia Wasikowska reflectem exactamente isso. India Stoker não é das personagens propriamente mais simpáticas, mas tem a força exacta exigida para uma protagonista. Confesso que até agora não era grande fã de Mia, mas rouba totalmente o filme ao proporcionar-nos com uma actuação bastante eficiente e comprometida. A evolução da personagem é incrível à medida que a trama avança e nos vamos deparando com imensas questões: será Charles Stoker um vilão? Qual o motivo da aproximação de Charlies na família após o luto da morte de Richard? Porque é que India reluta em aceitar Charles na família? Charles Stoker é interpretado por Matthew Goode e, sinceramente, está exactamente como esperado. Sou grande fã do actor, e não via ninguém a desempenhar o problemático Charles como ele. Curiosamente, o papel era para ter sido interpretado por Colin Firth. Felizmente não aconteceu.

Para concluir, Stoker é um filme complicado de se enquadrar categoricamente. Tem elementos de diversos géneros, sendo das obras mais maduras do realizador, que continua a exercer uma influência gigante nos seus filmes tão característicos. É um filme que gera muita tensão que com certeza se irá tornar numa pequena pérola cinematográfica. É, sem dúvida, marcante, e não poderia deixar de recomendar!

EXAME

Realização: 9/10
Actores: 8.5/10
Argumento/Enredo: 6/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Efeitos/Fotografia: 8/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 7/10

Média global: 7.6/10

Crítica feita por Sarah Queiroz

Informação

Título original: Stoker
Título português: Segredos de Sangue
Ano: 2013
Realização:  Chan-wook Park
Actores:  Matthew Goode, Nicole Kidman, Mia Wasikowska

Trailer do filme:








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