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sábado, 8 de agosto de 2015

Especial Colaborações do Cinema: Neill Blomkamp e Sharlto Copley



Vamos continuar o nosso especial Colaborações do Cinema, trazendo agora em destaque a dupla sul-africana que, na minha opinião, faz maior furor no mundo Sci-Fi: Neill Blomkamp e Sharlto Copley.

Sharlto Copley e Neill Blomkamp

   Blomkamp e Copley representam uma verdadeira lufada de ar fresco no mundo cinematográfico. As suas colaborações parecem ser das mais genuínas que há, e não é possível ver algum dos filmes e não notar isso. A filmografia do realizador não é extensa, mas todos os seus filmes contaram com a presença do actor Sharlto Copley. Neill Blomkamp é um realizador extremamente inteligente e adoro as temáticas implícitas que aborda, enchendo os seus filmes com metáforas sobre a identidade, seja individual ou social. Após três filmes, tão parecidos e tão distintos, é de ansiar o que aí vem por parte do realizador, e esperemos que conte sempre com o magnífico actor!
   Vejamos, então, os filmes que contam com a colaboração de Neill Blomkamp e Sharlto Copley. Qual é o vosso preferido e porquê? Partilhem connosco a vossa opinião!


District 9 (2009)





   "District 9" marcou a estreia no mundo da realização de longas-metragens por parte de Neill Blomkamp, e que estreia de grande impacto foi esta... Na minha opinião foi o melhor filme de 2009. Produzido por Peter Jackson, o filme deixou automaticamente o público intrigado antes da estreia, pela imensa publicidade que teve. Não é fácil fazer um filme de Sci-Fi que seja inteiramente competente, mas felizmente foi Blomkamp a comandar a película, e devido à sua grande habilidade, trouxe-nos dos melhores filmes Sci-Fi da década. É impossível ignorar a critativade narrativa, especialmente quando conjugada pelo estilo cinematográfico de falso-documentário.

Um grupo de extraterrestres, que aterraram na Terra há 28 anos atrás, vive segregado dos humanos numa área degradada chamada Distrito 9 em Joanesburgo, África do Sul. A MNU é a empresa que fica responsável pelo controlo dos alienígenas e pela relocalização da sua população, mas tem também outro interesse: tomar posse da sua biotecnologia. A tensão entre humanos e extraterrestres cresce, sobretudo quando Wikus van de Merwe (Sharlto Copley) um operacional da MNU, contrai um vírus contagioso que modifica o seu DNA. Wikus torna-se no homem mais procurado do mundo sendo obrigado a fugir. Sem saber para onde ir, só tem um lugar onde se esconder: o Distrito 9, onde poderá encontrar uma forma de inverter o processo que está a acontecer ao seu corpo.

   O filme é, na sua simples essência, genial: a narrativa inteligente (como se de uma alegoria política se tratasse), combinada com uma abordagem super original e com uma interpretação formidável de Sharlto Copley, não deixou ninguém indiferente. É absolutamente inesquecível, inovador e ousado. A realização é de uma competência soberba, os efeitos especiais estão fantásticos (tendo em conta o budject subjectivamente modesto), sendo que o maior destaque vai mesmo para o actor, que interpreta Wikus de uma maneira assombrosa, em que se torna impossível não criar uma ligação com a personagem. "District 9" foi nomeado aos Óscares de Melhor Filme e Melhor Argumento Original. É caso para dizer que a primeira colaboração de ambos revelou ser perfeita, pelo que seria complicado ultrapassarem este marco...




Elysium (2013)





   Depois da sua estreia em grande com "District 9", era de esperar que Blomkamp se começasse a envolver em grandes produções. E eis que fê-lo precisamente com "Elysium", em que é perceptível a intenção de seguir os passos do seu antecessor, contando novamente com Sharlto Copley. Pese embora o facto de ter ficado a léguas da qualidade de "District 9", gostei do facto de Blomkamp ter arriscado com um argumento bastante diferente e original, que faz novamente o espectador reflectir sobre a desigualdade. Tecnicamente impecável, o aspecto visual de Elysium é impactante, aliás como o seu antecessor, podendo-se até dizer que é quase como uma "marca" do realizador. O grande mérito é que não é exagerada, como inúmeras outras produções do género.

Em um futuro não muito distante, a Terra está doente. Enquanto a população vive em condições precárias, um grupo elitista de terráqueos habita um oásis flutuante. Nessa estação espacial, Elysium, o poder da cura é uma realidade, mas a luta pelo poder ainda é uma doença. É quando o interesse por salvação de Max (Matt Damon), trabalhador infectado por radiação e com cinco dias de vida pela frente, converge com um golpe de estado planejado por uma ambiciosa secretária de defesa (Jodie Foster). Mas eles estão em lados opostos e os planos de ambos poderão sofrer uma drástica mudança.

Elysium é um bom momento de entretenimento, que, na minha opinião, sofre apenas da abordagem tipicamente "hollywoodesca", uma vez que não é profundo o suficiente, não obstante a temática ser novamente original (como esperado das sátiras de Blomkamp). Eu gostei por ser fã, mas decerto que os mais exigentes poderão implicar com esta película.





Chappie (2015)




Em 2015, a hype em torno de "Chappie" era quase que palpável. A dupla sul-africana, apesar de relativamente jovem no mundo cinematográfico, já estava consolidada o suficiente para ser considerada a grande dupla do género ficção-científica (ainda que Elysium tenha sido criticado). É sem dúvida um filme ambicioso, que procurou combinar os elementos sci-fi, com comédia, suspense, cyber-punk e até drama. O problema com o resultado final foi a confusão e falta de coerência que acabou por gerar. Estava com bastantes expectativas em relação ao filme, uma vez que Neill sempre conseguiu concretizar as suas ideias com um detalhe incrível, mas talvez por ter visto com ideais exigentes é que acabei por me desiludir. Porque é claro que tem os seus méritos, e entretém. A fotografia, como sempre está fantástica... mas não consigo ultrapassar o facto do elenco ter deixado ligeiramente a desejar, especialmente a dupla de Ninja e Yo-Landi Visser, que conseguiram fazer o oposto (de dar credibilidade) em relação ao que se propunham. Sharlto Copley mais uma vez este impecável, desta vez no papel de Chappie, uma vez que a movimentação do robô está bastante convincente e bem captada. Os efeitos especiais são, sem dúvida, um grande destaque. 

Num futuro próximo, a polícia transformou-se numa força opressora robotizada que defende os interesses governamentais, sem olhar para as injustiças e dramas da população. É então que é criado um "robot" dotado de uma programação mais avançada que, para além dos seus poderes sobre-humanos, lhe confere ainda sentimentos e inteligência própria. Chappie "nasce" assim para a vida como uma criança, capaz de aprender, improvisar e transformar-se a cada dia. Ao mesmo tempo que alguns encontram nele a esperança de que precisavam para agir contra a corrupção policial, as autoridades vêem em Chappie uma verdadeira ameaça à lei e à ordem estabelecida. Por isso, estão determinados a destruí-lo e garantir que nunca mais seja replicado.

Depois de ter visto o filme, e sendo já o terceiro do realizador, é inevitável fazer comparações. Apesar de ser uma película que mexeu com as minhas emoções (a carga emocional até é demasiada, estando o ambiente sci-fi muito pouco explorada), é fácil notar a queda de qualidade no argumento. Novamente faz a sua alegoria política, e é sem dúvida inteligente, especialmente por tentar abordar as questões de consciência e personalidade do indivíduo, mas perde-se a meio do caminho, não respondendo a tantas questões que são abordadas. O que é pena, porque é sabido que Blomkamp é um realizador de extremo potencial, mas honestamente tem que superar o sucesso de "District 9" para poder se reafirmar. 



VEREDICTO: É certo que a filmografia de Blomkamp não é longa, mas não há dúvidas de que, com esta dupla, filmes de enorme qualidade e inteligência é o que se pode esperar, e estou bastante entusiasmada com possíveis futuras colaborações. Já se sabe que caberá a Neill Blomkamp a realização do tão esperado "Aliens 5", agora é esperar se Copley terá algum papel no filme, uma vez que participou em todos até agora. Gostava mesmo! O meu filme preferido desta dupla é, indiscutivelmente, "District 9". Foi, sem dúvida, um novo marco no Sci-Fi e a sua qualidade é indubitável.

E o vosso? Partilhem connosco a vossa opinião!




por Sarah Queiroz