Crítica - Before I Wake (2016)

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domingo, 14 de agosto de 2016

Before I Wake (2016)


Fear your dreams.


Mike Flanagan está a caminhar a passos largos para se tornar dos meus realizadores preferidos do género (relax James Wan, you're still my favourite). O cineasta trouxe-nos filmes como "Absentia" (2011), "Oculus" (2013) e "Hush" (2016), que são formidáveis pela sua simplicidade e eficiência. Por esse motivo, mal podia esperar por "Before I Wake", uma vez que Flanagan possui um profundo grau de entendimento relativamente ao que resulta e ao que não resulta na indústria do terror. E essa é uma qualidade que falta a bastantes realizadores, porque para além da visão, é necessária uma boa execução. Mas será que a minha expectativa saiu furada? A ideia de "sonhos" pode abrir portas para algo muito assustador, e é por isso que considero este conceito dos mais interessantes em filmes de terror, pelas infinitas possibilidades que se pode enveredar, e por ser fascinante o desconhecido que disso mesmo decorre. A premissa do filme é simples: Jessie (Kate Bosworth) e Mark (Thomas Jane) decidem adoptar uma criança chamada Cody (Jacob Trembley) após a morte do seu filho Sean. Quando Cody demonstra uma especial aversão a dormir, o casal rapidamente descobre o porquê: a criança possuiu um dom incrível de os seus sonhos manifestarem-se para a realidade enquanto ele dorme. Apesar de ao início parecer incrível, o problema surge quando também os seus pesadelos emergem para a realidade, que revelam ser mortais...

   Não quero adiantar muitos detalhes sobre a história para não estragar o visionamento, mas posso dizer que é uma verdadeira "fábula de terror", onde mais facilmente somos abalados por uma via emocional do que uma via sombria. Aliás, devo mesmo salientar este facto: a película mistura elementos de suspense, fantasia, drama e terror, apesar de ter sido este último elemento o ponto central da sua promoção (não sendo o mais predominante). Mas isso não significa que o filme não tenha os seus momentos sinistros, porque tem, e quando os tem, não desilude. Só não esperem ficar 100% amedrontados, porque o propósito não é esse. Muitos poderão ficar desiludidos se acharem que vão ver um filme de terror intenso, aliás, quem vir com essa mentalidade poderá achá-lo aborrecido. Tal como a temática do filme sugere, Mike Flanagan abriu asas à sua imaginação. Mas fiquei com a sensação de que poderia ter aberto ainda mais, e que o terror poderia ter sido mais explorado (pelo simples facto de envolver sonhos/pesadelos), só que é de admirar a realização de Flanagan e a sua habilidade em pegar numa história interessante e atribuí-la várias camadas e nuances que nos põe a pensar. Num momento podemos estar com os nervos à flor da pele, como rapidamente podemos ficar comovidos. 



   O aspecto psicológico do filme está sempre presente e é impossível não ficarmos a torcer pelas personagens e ficarmos curiosos pelo final do filme, uma vez que tem um desenvolvimento bastante interessante. A dinâmica das três personagens está muito bem construída e é interessante ver como o filme se desenrola. No entanto, o terceiro acto pode parecer ligeiramente confuso ou apressado (até temi que fosse deitar tudo por terra), mas garanto-vos que depois o final compensa, e preparem-se para ficar emocionalmente absorvidos. A maneira como as coisas se encaixam é surpreendente. É uma história verdadeiramente bonita que também ganha pontos pela forte concepção visual e fotografia. E é claro, com os típicos jump-scares que não fazem mal a ninguém.

   Claro está que o filme também muito deve ao fantástico talento do elenco. Kate Bosworth surpreendeu-me muito pela positiva. Depois do insucesso de "Super-Homem: O Regresso" (2006), nunca pensei conseguir encará-la da mesma maneira, mas aqui apresenta-se num registo completamente diferente. Mas a verdadeira estrela é Jacob Trembley. Para além de ser the cutest kid ever, demonstra mais uma vez que só poderá ter uma carreira de sucesso pela frente (o actor foi excepcional em "Room").


   O ponto mais negativo do filme são os efeitos especiais (alguns)... Fiquei francamente desiludida com este aspecto, pois pareceu que o budget acabou e tiveram que fazer qualquer coisa para desenrascar. Se os efeitos especiais fossem melhores, o filme conseguia tornar-se muito mais assustador, e acaba por pecar fatalmente neste departamento, o que é mesmo uma pena.

   Em termos comparativos, "Before I Wake" é capaz de ser o filme "menos bom" de Flanagan, mas ainda assim é uma produção bastante sólida que eu não poderia deixar de recomendar, especialmente para quem gosta de terror envolvido com nuances dramáticas e psicológicas. É um filme que, acima de tudo, transmite uma forte mensagem. Como já tive oportunidade de referir, este realizador tem uma abordagem única às temáticas que retrata, pelo que, qualquer filme assinado por ele, vale a pena ser visto. Mal posso esperar pelo seu próximo título!


EXAME

Realização: 8/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Efeitos/Fotografia: 5/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 7.5/10

Média global: 6.9/10

Crítica feita por Sarah Queiroz

Informação

Título original: Before I Wake
Título português: 
Ano: 2016
Realização: Mike Flanagan
Actores:  Kate Bosworth, Thomas Jane, Jacob Trembley

Trailer do filme:


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

TOP 10 Melhores: Filmes de Terror de 2015




2015 tinha tudo para ser um excelente ano para o Terror e eu estava bastante expectante para vários títulos que iam sair. Decerto que me desiludi com muitos (vai demorar um bocado até ultrapassar a desilusão que foi "The Gallows"), mas há muitos outros que superaram a minha expectativa. O que me surpreendeu mais em 2015 foi a variedade de elementos e miscelânea de subgéneros nos filmes de terror, o que é sempre positivo. É por isso que vão encontrar alguns filmes desta lista que não são sinónimo de terror puro: este ano foi um grande ano de horror comedy, e por ter elementos de terror é que alguns estão na lista. Não se surpreendam com a sua inserção, pois merecem mesmo o destaque!
Nunca é demais referir que esta lista é subjectiva, pelo que muitos poderão não concordar.
Partilhem connosco a vossa opinião!



10. Unfriended (2015)


   Quando saiu o trailer deste filme fiquei logo de pulga atrás da orelha: parecia-me original, o que deixou-me desde logo animada, mas estava com receio que acabasse por ser daqueles que não sabem aproveitar o seu potencial. "Unfriended" desenrola-se numa chamada Skype entre cinco amigos, que se torna bastante sinistra quando começam a reparar na presença de uma sexta pessoa. É um filme com um formato arrojado, mas que gera um ambiente de grande tensão, para além de ser bastante inovador no que toca ao género "found-footage". A simplicidade na narrativa é um bónus, e é impossível ficar indiferente à temática do cyberbullying. Das principais críticas feitas ao filme é que não é particularmente bem sucedido em criar um clima assustador.. Eu não poderia discordar mais; aliás, a construção do terror está tão boa que me fez olhar com outros olhos a chamada por Skype.





9. The Gift (2015)












 Mais uma grande surpresa nesta lista. "The Gift" é um filme que aparentemente parece banal. Não dava nada por ele, e nem sequer tinha visto o trailer. O poster estava francamente mau (vocês não adoram aqueles posters mauzinhos..?) e não imaginava um filme de terror protagonizado por Jason Bateman e Rebecca Hall. Até ao dia que decidi dar uma oportunidade ao filme. E digo-vos, foi das melhores decisões que tomei. Gosto bastante de filmes que se focam no lado "humano" do terror, isto é, aqueles que amedontram sem recorrer a fenómenos sobrenaturais ou criaturas, pois dá aquele elemento realista e credível ao filme. É essencialmente suspense e jogos psicológicos de início ao fim, e fiquei bastante surpreendida com Bateman, que está nitidamente fora do seu registo habitual.



8. The Visit (2015)











   Sou fã de M. Night Shyamalan. Por mais desilusões que ele me tenha dado ("The Happening" é dos piores filmes da história), estive sempre à espera do filme em que ele se redimisse. E nada melhor do que fazê-lo ao voltar às suas raízes. Este filme fez torcer o nariz a muita gente por estar associado ao realizador mas devo dizer que adorei o "Hansel and Gretel vibe", o comic-relief e, como é claro, os elementos de terror estão muito fortes, ao contrário do que poderia pensar. M. Night Shyamalan é conhecido pelos seus "twist endings" e esta película não desilude nesse aspecto... Aliás, consegue mesmo ser aterrador.


7. The Hallow (2015)


   Da lista inteira foi o filme mais recente que vi. "The Hallow" foi uma verdadeira lufada de ar fresco. Foi a estreia de Corin Hardy na realização e não podia tê-lo feito de maneira mais brilhante. O filme tem bastantes elementos "dark fairy tales" que o tornam bastante assustador para as pessoas mais supersticiosas (e é impressionante como neste tipo de filme os bebés nunca estão a salvo). Dos elementos que acho mais aterradores nos filmes de terror são aqueles vindos de mitos e lendas em aldeias... creepy.


6. The Final Girls (2015)


   Muitos irão criticar o facto deste filme constar da lista pois é tudo menos terror puro. Eu sou bastante fã do subgénero slasher. O slasher, em que um psicopata mata sequencialmente as suas vítimas tipicamente adolescentes, começou a crescer, com o início das sagas de Freddy Krueger e Jason, com a continuação da saga Halloween, e a consagração de "Scream". Eu sempre tive queda para esse tipo de filmes e sempre esperei que surgisse um que me pudesse dar aquele sentimento de nostalgia de um slasher antigo, mas ao mesmo tempo também inovar. E é precisamente por isso que "The Final Girls" é dos melhores filmes de terror (horror comedy) de 2015 e merece todo o destaque. Não tenho dúvidas de que, para quem gosta do subgénero e gosta de comédia e terror, vai adorar este filme. Uma verdadeira delícia.




5. Bone Tomahawk (2015)


   Para quem procura filmes com um ambiente diferente e que levam o horror a uma outra dimensão, este é o filme para vocês. Antes demais, acho que a mistura de géneros Western e Terror é genial: cowboys e canibais, protagonizado por Kurt Russell, o que poderia ser melhor? A minha principal ou única crítica ao filme é que tem um desenrolar lento, mas justifica-se pelo seu argumento, ou seja, acaba por estar construído de forma inteligente e até assustadora (é impossível não ficarmos com calafrios em algumas cenas, é mesmo possível  invocar a sensação de medo - ao contrário do que sucede com "Green Inferno" de Eli Roth). É mais um exemplo de como a variedade no género Terror produz resultados excelentes, e 2015 foi um um ano marcante nesse aspecto.


4. What We Do In The Shadows (2014)


   De 2014, mas teve o seu "release" em 2015. É um mockumentary sobre um grupo de vampiros que dividem um apartamento, e é a combinação perfeita de terror e comédia. Não me divertia tanto a ver um filme à imenso tempo e é, sem dúvida uma obra que se tornará num filme de culto. É uma verdadeira sátira pois constantemente brinca com inúmeros clichés, sendo bastante inteligente. Esta comédia de terror é das melhores dos últimos tempos.





3. Crimson Peak (2015)


   Filmes que saibam tirar partido da sua atmosfera são aqueles que só podem ser bons. "Crimson Peak" é, antes demais, dos filmes mais assustadoramente belos que já vi: visualmente está excelente e quase que se torna possível ao espectador "entrar" naquele tempo e ambiente. O elenco é, basicamente, dos meus actores preferidos, e cada um faz uma interpretação bastante boa. A única crítica que poderia apontar é que o filme demora um bocadinho a arrancar, diga-se. Sendo uma história de fantasmas de época, estava à espera que se fosse menos slow-paced, mas felizmente somos recompensados por um excelente terceiro acto. Keep Calm because Guillhermo Del Toro knows what he's doing.














2. We Are Still Here (2015)

   "We Are Still Here" esteve mesmo muito próximo de ser o primeiro lugar desta lista. Se fosse a lista das "maiores surpresas do ano", este ganhava a léguas. Filmes de terror com uma história sólida são uma raridade, e até nem dava muito por este porque parecia-me pouco original. Ora filmes sobre casas assombradas não é propriamente algo de novo... Mas o filme consegue, ainda assim, surpreender e ser inovador, pois mistura a vertente do suspense (e uns bons jump-scares) e do gore da melhor maneira possível. Eu adoro filmes de terror "old school" inteligentes, que vão gradualmente aumentando a tensão e que tenham finais com impacto e que nos deixem a pensar. E são precisamente estes os grandes trunfos da película.











1. It Follows (2014)

   Pode ser uma escolha previsível, mas "It Follows" merece todo o hype que teve (é também um título que é capaz de dividir muitas pessoas...). Foi o filme mais intrigante que vi nos últimos tempos, e o único que poderia ser o primeiro lugar da lista. Cheio de suspense, tem aquele "80's vibe" que não vai deixar nenhum fã do género indiferente, e é, sem dúvida, de ficar colado ao ecrã o tempo todo. É por esse motivo que foi uma tão agradável surpresa, porque tem uma estrutura pouco convencional e é muito mais original do que o terror contemporâneo nos tem vindo a habituar. A cinematografia de Michael Gioulakis é outro grande trunfo e combina todos os elementos de sucesso que tornam "It Follows" no melhor filme de terror de 2015. Para quem gosta de filmes mais violentos e com gore, este não é para vocês. O ponto mais forte deste filme é o facto de ficar muito tempo na nossa cabeça e ser memorável, tal como acontecia antigamente. Recomendadíssimo!











Menções Honrosas

Creep
Goodnight Mommy
The Nightmare
Deathgasm



por Sarah Queiroz