segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Blade Runner (1982)

Um sci-fi policial e noir? Sim... e do melhor!

Ridley Scott é dos realizadores mais versáteis que conheço (já fez dramas, comédias, épicos, terror, acção, filmes de gangsters, ficção científica, enfim!) mas, para mim, é mesmo na ficção científica que se destaca. Se com "Alien" de 1979 Scott apresentou aquele que considero o primeiro e melhor filme de sempre de terror mesclado com sci-fi, então em Blade Runner conseguiu pegar no mesmo género mas levá-lo magistralmente para os campos do policial e do filme noir!

A história centra-se em Deckard (Harrison Ford), um Blade Runner, que tem que localizar e eliminar quatro Replicants que assaltaram uma nave espacial e regressaram ao planeta Terra em busca do seu criador.

Bem, como qualquer filme de Ridley Scott, também Blade Runner tem uma director's Cut; só que neste caso existem mesmo 7 versões do filme! As mais conhecidas e vistas são a Versão Original de Cinema de 1982, a Director's Cut de 1992 (que, na verdade, não foi feita seguindo as indicações de Ridley) e a Final Cut de 2007 (a única versão completamente remasterizada em Blu-ray, sendo esta a verdadeira Director's Cut de Scott).

A Direcção de Arte e os efeitos visuais do filme são simplesmente de cortar a respiração! Tal como Alien, 2001- A Space Odissey e Star Wars, Blade Runner é dos filmes que melhor envelheceu com o tempo, tão credível hoje como o era à 30 anos aquando do seu lançamento.

Aconselharia qualquer pessoa a ver primeiro a versão original de cinema e , logo a seguir, a Final Cut. É que não só são substancialmente diferentes (a narração de Harrison Ford na versão original confere ao filme um estilo mais neo-noir e altera por completo a percepção que se tem da sua personagem e do final, que tem mais uma cena do que aquela que marca o final da Final Cut; já a Final Cut omite a narração e acaba um pouco antes o que confere uma sensação mais simbólica, abstracta mas também bem mais complexa e aberta a todo o enredo) como todo o restauro de topo feito na Final Cut obriga qualquer pessoa ao seu visionamento!


A música é bastante interessante. Nunca faz por enfatizar que está lá, antes acompanha-nos e marca o ambiente das cenas e da personagem de Deckard, muito ao estilo de um verdadeiro policial. No entanto também temos uma ou outra faixa mais romântica nas cenas entre Deckard e Rachael (Sean Young), assim como no final a música avança um pouco para o ambiente de acção. Mas nunca exagera, está lá para cumprir o seu papel e fá-lo muito bem.

O argumento é dos mais inteligentes que já vi e toca em questões tão importantes e actuais como a legitimidade da escravatura, da engenharia e manipulação genéticas, a busca do sentido da vida, a tragédia da mortalidade e o peso das emoções no nosso destino. Se há coisa que adorei nesta película foi o facto de Ridley Scott nos apresentar Replicants tão perfeitos que até conseguem ser mais humanos que os humanos, enquanto os verdadeiros humanos são seres mais frios, calculistas e impiedosos que perseguem estes andróides a todo o custo e lhes limitam a vida para sua própria protecção! Até que ponto uma criação deixa de ser do seu criador? Até que ponto é justificável controlar "algo" que passou a sentir tornando-se, como qualquer humano, um ser racional? É sem dúvida de mestre o final do filme, quando nos apercebemos que os Replicants só queriam gozar a sua vida e que se confrontam com os mesmos problemas que nós: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Quanto tempo nos resta?

Tenho mesmo que fazer uma vénia a Rutger Hauer por todo o brilhantismo que teve a interpretar Roy, o último Replicant, ao longo de todo o filme! Todas as suas expressões faciais e olhares são simplesmente deliciosos e significam mais do que qualquer palavra...Toda a confrontação final entre Deckard e Roy é das melhores cenas de sempre na história do cinema. Roy não procura vingança pela morte dos seus amigos e , sabendo que também não lhe resta muito tempo, prefere usá-lo ensinando uma lição a Deckard, fazendo-o interrogar-se sobre qual o nosso papel neste mundo, como podemos aproveitar a nossa efémera estadia por este espaço e a tristeza de não conseguirmos transmitir todo o nosso conhecimento para as gerações seguintes. Há coisas que não estão escritas no ADN e outras que vivem dentro de nós e não são apreensíveis por mais ninguém. Quando morremos, tudo o que os nossos olhos viram "desaparece como lágrimas na chuva".

Também toda a sequência do sonho de Deckard e a sua ligação no final com o unicórnio de origami feito por Gaff (interpretado pelo grande Edward James Olmo) é muitíssimo bem conseguida e é a melhor pista para decifrar a verdadeira natureza do protagonista... Eu cá tenho a minha opinião... e se essa conclusão não era tão óbvia na versão original, Ridley Scott vai claramente nesse sentido na sua Final Cut.

Enfim, Blade Runner é uma obra de culto, uma fresh-approach de Ridley Scott ao género do sci-fi e , para além disso, um dos filmes mais inteligentes e visualmente deslumbrantes que o cinema contém. Então com a fotografia e som restaurados da Final Cut, está mesmo mais imperdível do que nunca!



EXAME

Realização: 9/10
Actores: 9/10
Argumento/Enredo: 9/10
Duração/Conteúdo: 8/10
Efeitos/Fotografia: 9/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 8.6/10

Crítica feita por Rodrigo Mourão

Informação

Título Original: Blade Runner
Título em Português: Blade Runner- Perigo Iminente
Ano: 1982
Realização: Ridley Scott
Actores: Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young, Edward James Olmo

Trailer:



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2 comentários:

  1. Nunca tive oportunidade de ver o filme. Conheço-o de nome e o actor, mas após este texto entusiasta vou vê-lo!
    É bom ver críticas de filmes mais antigos e, já agora, gostei imenso do vosso TOP de Sci Fi dos anos 80. Continuem!

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  2. Muito obrigado Nuno! Olha, vê então a versão original e depois a Final Cut.
    Nós gostamos de todo o tipo de filmes: dos blockbusters mais recentes, aos clássicos mais antigos e , volta e meia, um ou outro filme mais despercebido. Eu cá estou sempre a colmatar falhas cinematográficas e o Blade Runner foi das últimas. Volta sempre!

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