domingo, 2 de dezembro de 2012

X-Men: First Class (2011)


O renascimento quase perfeito de um franchise...

Não sou um grande conhecedor dos super-heróis de banda desenhada, nem posso dizer que os X-men sejam os meus favoritos, mas a verdade é que segui a saga toda de filmes e , tirando o que saiu em 2009 sobre a origem do Wolverine, nem desgostei muito dos mesmos. Achei que já estava na altura de ver esta prequela que saiu o ano passado e tenho que ser sincero: para mim, este é o melhor filme de X-Men já feito!

Como não podia deixar de ser, a história foca-se na origem de Erik Lensherr (Michael Fassbender) e Charles Xavier (James McAvoy), que mais tarde viriam a ser conhecidos como os líderes mutantes Magneto e Professor Xavier. O palco são os anos 60, em plena Guerra Fria. O mutante Sebastian Shaw (Kevin Bacon) decide iniciar uma guerra nuclear que leve os humanos à auto-extinção, deixando espaço para uma nova raça superior governar. Ao descobrir parte destes planos e a existência de alguns mutantes, a agente da CIA Moira MacTaggert (Rose Byrne) volta-se para Charles Xavier (especialista em mutação genética) para os ajudar. Xavier procurará novos mutantes para impedir Shaw, o que o fará travar conhecimento com Erik, que também tem assuntos a resolver com o vilão. Os dois tornam-se amigos, mas aquilo que começa por ser uma aliança, poderá levar, no fim, a uma rivalidade por pontos de vista diferentes quanto ao destino dos mutantes numa sociedade de opressão dominada pelos humanos.

Gostei muito das personagens e achei que estavam muito bem desenvolvidas, tendo em conta que muitas não sobrevivem ou não aparecem nos filmes seguintes (sei que há pessoas que dizem que este filme se focou nos X-Men mais chatos, mas visto que era uma história de origem, presumo que não houvesse muitos mais caminhos a ter em conta... e a verdade é que o trabalho ficou bem feito). Não só se vê aqui um argumento competente neste ponto, mas também boas opções de casting, pois todos os actores estão perfeitamente à vontade nos seus papéis. Mais uma vez, Michael Fassbender dá-nos uma interpretação genial como o vingativo Erik (adorei a cena do bar na Argentina, onde ele começa a sua vingança); Jennifer Lawrence está bastante bem como Raven/Mystique, tendo mesmo as características de uma adolescente; Kevin Bacon dá-nos um grande vilão como Sebastian Shaw, pois este apenas se limita a mexer as peças (neste caso a pôr os americanos contra os russos, para que os mutantes possam prosperar) e a apreciar o espectáculo, sendo um oportunista que finge estar de todos os lados. James McAvoy também está bastante bem como Xavier, mas não teve nenhum "momento espectacular" que possa apontar. É também de mestre o facto de Erik, enquanto judeu, ter sido desprezado pelos nazi e agora, enquanto mutante, volta a ser desprezado pela raça humana em bloco. Sem dúvida que dá uma explicação bastante inteligente e trágica para as suas motivações.

As cenas de acção estão muitíssimo bem coreografadas e os planos estão bastante bem enquadrados. É mesmo puro entretenimento, com o ponto positivo de estar ao serviço de uma história interessante. Da mesma forma, os efeitos visuais estão bastante bons. A complementar tudo isto está a banda sonora de Henry Jackman, que é bastante boa, coisa que não esperava. Temos desde músicas calmas, até músicas brutais (o tema do Erik tem uma potência que retrata muito bem a fúria que a personagem sente), passando pela música "mais épica" do final.

A história tem muita substância e impressiona-me o quanto conseguiram contar num filme sem esta parecer artificial. Acho que a escolha da "Crise dos Misseis Cubanos" como pano-de-fundo foi bastante inteligente não só para suportar o plano do mau-da-fita, mas também para permitir algum «estilo de espionagem» no filme e , mais importante, dar a este uma base sólida e realista. Até gostei do pormenor da cena inicial do filme ser a mesma (ainda que regravada) da do primeiro X-Men, o que estabelece um certo equilíbrio desta fita dentro do universo dos outros filmes. A isto se juntam uns cameos breves mas bastante interessantes, como o de Hugh Jackman como Logan/Wolwerine (só uma coisa, não era suposto ele ser uma criança nos anos 60?). A evolução do enredo está boa e o clímax compensa imenso, pois estamos muito investidos.  No entanto, acho que a personagem da Mystique tinha muito potencial e foi mal abordada, na medida em que a sua relação com o Beast é muito apressada e sem grande contribuição e que o seu tempo de ecrã com Erik, apesar muito bom e de ajudar a compreender a sua decisão de ficar com ele, devia ter sido melhor explorada. É que, no final do filme, ela aceita ir com Magneto e deixar Xavier (quando ela e Xavier eram como irmãos) e o último aceita tudo sem pôr nenhum oposição, apesar de saber os propósitos de Erik de destruir a humanidade e o facto sem importância deste ter acabado de o deixar tetraplégico!
 
Isto leva-me àqueles que considero os principais pontos negativos. O filme tenta ser coerente em muitas coisas (a começar pela cena inicial), mas depois deita tudo a perder no fim em termos de continuidade com os seus antecessores: o Magneto e o Xavier tornam-se inimigos no final do filme, mas no X-Men 3 , quando são mais velhos, vão todos amiguinhos a casa da Jean dizer-lhe que ela é uma mutante; o Xavier fica sem poder andar no final deste filme, mas na já referida cena inicial do X-Men 3 ele consegue andar; neste filme cria-se uma relação entre Beast e Mystique, mas na trilogia já feita (que se passa depois) nenhuma das personagens passa cartão à outra... Enfim, isto torna muito difícil de enquadrar esta obra no universo dos lançamentos anteriores. Não fosse o facto dos filmes anteriores já terem estabelecido certos acontecimentos, este filme seria perfeito (tirando aquilo que apontei quanto ao tratamento da personagem Mystique), pois funciona muito bem como uma prequela isolada e dá-nos vontade de ver mais.

Concluindo, apesar dos erros de continuidade e de um tratamento menos feliz de uma das personagens principais, X-Men: First Class é um filme bastante sólido, desde a história aos visuais, passando pelas personagens e , por isso, não é só entretenimento de sábado à tarde. É um filme que passa a correr (e tem 2 horas!),  mais que recomendado a qualquer fã de super-heróis e/ou filmes de acção, com a  vantagem de não se ter que ver os outros filmes para apreciar este. Graças a Deus que já está acordada uma continuação para 2014, intitulada X-Men: Days Of Future Past. Esperemos é que nessa tenham mais atenção à ligação com os outros filmes...


EXAME

Realização: 8.5/10
Actores: 8.5/10
Argumento/Enredo: 7.5/10
Duração/Conteúdo: 8/10
Efeitos/Fotografia: 7.5/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7.5/10

Média Global: 7.9/10

Crítica feita por Rodrigo Mourão
 

Informação

Título em português: X-Men- O Início
Título Original: X-Men- First Class
Realização: Matthew Vaughn
Ano: 2011
Actores: Michael Fassbender, James McAvoy, Kevin Bacon, Jennifer Lawrence 
 

Trailer do filme:



5 comentários:

  1. Também não sou fã de quadrinhos e concordo que este é o melhor filme da série, porém no mesmo nível do também ótimo "X-Men II".

    Abraço

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  2. Concordo Hugo, porque da trilogia anterior, o meu favorito também foi o segundo. Adorei esse filme, assim como a personagem do Brian Cox e toda o plano para encontrarem todos os mutantes do mundo e os exterminarem.
    Abraço e volte sempre!

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  3. O meu favorito continua a ser o X2. Mas este vem logo a seguir. Muito bom começo, peca por querer afastar-se dos anteriores mantendo na mesma ligações.

    Ou era um reboot ou uma prequela, não pode ser os 2 :S

    Este é bem melhor que o do cap america :D

    E sim o Bucky vai ser essencial na sequela desse filme :P

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  4. É isso mesmo Loot. Parece que quiseram fazer daquilo um reboot e uma prequela ao mesmo tempo (acho que o próprio Matthew Vaughn admitiu ser essa a ideia numa declaração...), o que não pode ser... e nem faz sentido os erros de continuidade, visto que no próximo filme já querem fazer a ponte (e isso vê-se, já que Patrick Stewart e Ian Mckellen também vão voltar para fazer as personagens mais velhas) e que este filme foi em parte escrito pelo realizador da trilogia anterior, que agora vai realizar o Days of Future Past.

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  5. Na altura que escrevi o comentário pensei que o autor/a do texto era o mesmo/a que o do cap américa daí a minha última frase. Desculpem o engano :P

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