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Análise ao novo filme de terror realizado por Mike Flanagan, "Before I Wake". Por Sarah Queiroz.

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TOP 10 Melhores Filmes - "Body Horror"

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

TOP 5 Melhores Cenas - Filmes Pixar



A Pixar Animation Studios é das maiores e melhores empresas de animação digital. Os seus filmes, tanto as longas como as curtas, apresentam um nível de excelência inagualável. Contando já com 13 filmes, e tendo já três a caminho (2013-2016), a Pixar deixou-nos um legado incrível com a promessa de haver sempre mais.

Decidi então fazer um TOP que reunísse as cenas que considero mais memoráveis nos meus filmes favoritos da Pixar. Torna-se difícil, porque considero que existem inúmeras cenas que têm a carga simbólica/conteúdo cómico/dramatismo/moral suficientes para pertencerem a este TOP, mas enfim: trata-se de uma selecção pessoal das que considero realmente as minhas favoritas.

Nota: Neste TOP os filmes não estão necessariamente por ordem.


Toy Story 3 (2010)

Cena: Incineração

Todo o filme tem cenas memoráveis e inesquecíveis, mas tendo de escolher uma tive mesmo de optar pela cena da incineração, onde os brinquedos lidam com a possível morte iminente. É muito poderosa e nostálgica, que quase (quase!) me deixou com uma lágrima no canto do olho.



Up! (2009)

Cena: Vida de casados

Esta pequena montagem tem quatro minutos e é simplesmente adorável, começando e acabando na igreja. Com esta cena, é possível dissecar todos os componentes de uma relação. Temos uma cena forte e sem qualquer diálogo.




Ratatouille (2007)

Cena: Momento de nostalgia de Anton Ego

Esta cena concentra-se em Anton Ego, um impedioso e implacável crítico de gastronomia, que prova ratatouille. Anton Ego é rapidamente transportado para a sua infância, lembrando-se de como a sua mãe também fazia o prato para ele. A nostalgia e felicidade invadem-no, e acaba por raspar o prato e lamber os dedos como se novamente de um rapazinho se tratasse. A cena acerta em todos os pontos.



Wall-E (2008)

Cena: Dança no espaço

Juntamente com uma banda sonora incrível, esta cena faz lembrar inevitavelmente aquele romantismo dos musicais antigos. Tem a mensagem bem patente de que não há nada mais mágico do que dançar com a nossa cara metade, mesmo para os robôs.




The Incredibles (2004)

Cena: Helena salva filhos no avião

Existe um leque enorme de outras cenas no filme The Incredibles que deveriam estar contempladas aqui, mas eu simplesmente adoro a cena em que a Mulher-Elástica salva-se a si e aos filhos do avião que está a cair. Acho que está extraordinariamente bem feita e está carregada de emoções fortes.






Outros momentos memoráveis:

Toy Story 3 (2010) - A cena final;

Finding Nemo (2003) - Nemo a perder-se; Dory a falar balaiês; Corrente para Sidney;

The Incredibles (2004) - qualquer cena com a Edna Mode;

Toy Story 2 (1999) - A canção de Jesse;

Monsters Inc (2001) - A cena final.


E muitas outras, porque a PIXAR é simplesmente inesquecível.


E para vocês ? Quais as melhores cenas dos filmes da Disney.Pixar ? Partilhem a vossa opinião.


por Joana Queiroz




VER TAMBÉM:

terça-feira, 28 de agosto de 2012

The Strangers (2008)

The Strangers é um filme americano estreado em 2008, que conta com Liv Tyler e Scott Speedman nos principais papeís, enquanto que Bryan Bertino assume a realização. Claro que já tinha ouvido falar deste filme, mas só muito após a sua estreia é que tive oportunidade de vê-lo. Muito sinceramente, não tinha depositado grande fé em The Strangers, o trailer não me tinha deixado particularmente entusiasmada, para além de não considerar Liv Tyler uma actriz brilhante. E são sempre dois elementos fulcrais para me deixar minimamente interessada num filme. O certo é que acabei por me surpreender, e bem. Adoro surpresas destas. Apesar de dotado de uns inevitáveis clichés, o filme consegue ser brilhante, intrigante e intenso, sendo o perfeito exemplo de um filme que, apesar de produzido com um baixo orçamento, consegue ser bem sucedido.

Antes de mais, parte de uma premissa simples: Kristen (Liv Tyler) e James (Scott Speedman), após um acontecimento menos bom, decidem passar a noite na casa de férias dos pais de James, para "descansar" dessa mesma noite difícil. Só que o descanso não lhes será concedido, quando entretanto três estranhos mascarados surgem no meio da aparente tranquilidade, para aterrorizar o jovem casal. Kristen e James são levados ao verdadeiro limite e terão que fazer de tudo para se salvar das intenções brutais destes enigmáticos mascarados...

Só que esta "simplicidade" no terror e a aparente dispensa de elaboração, que poderá ser característica neste tipo de filmes, é o que acaba por ser a falha mais evidente e infeliz do filme. Isto porque em relação ao argumento, The Strangers é extremamente vazio. Claro que por vezes deve reduzir-se ao essencial, mas neste caso penso que a nível substancial deveria ser mais rico, quer de diálogos e até mesmo conteúdo. Admito que a intenção do realizador tenha sido dar a menor informação possível para que o ambiente de elevada tensão fosse exacerbado, pois é extremamente realista, e deixa qualquer pessoa perturbada em função da possibilidade de acontecer com qualquer um de nós. Decerto que é uma simplicidade assumida. Mas não deixo de considerar que é pobre a nível de argumento, pois podia explicar muito mais até mesmo em relação às personagens, que são extremamente bidimensionais.

Mas uma coisa é certa, há momentos verdadeiramente desesperantes que envolvem o expectador ao máximo, mesmo que o filme não seja de dotado da chamada violência explícita. Somos "brindados" com jogos psicológicos verdadeiramente perturbadores, e é inevitável não sentirmos pelos protagonistas... É talvez aí que a falha da não originalidade e simplicidade da trama consegue ser ultrapassada, através da forma como é apresentada. Bryan Bertino é um bom realizador e não falha na construção de um terror gradual e eficaz, coadjuvando com uma fotografia deliciosa de assustadora que é, que contribuiu ainda mais para aquele sentimento de incómodo. Aliás, só a figura dos mascarados fala por si. E devo dizer que, para estreia na realização, Bryan Bernito merece muitas palmas mesmo. Em relação ao elenco, não tenho rigorosamente nada de mal a apontar em relação às interpretações de Scott Speedman e Liv Tyler, pois cumpriram os seus papéis de modo bastante seguro. Até devo dizer que me surpreendi pela positiva com Tyler, muitíssimo credível mesmo.

Em tom de conclusão, é um filme que recomendo vivamente. Apesar de pecar pela sua simplicidade exagerada, cumpre os requisitos que o qualificam como um óptimo filme de terror, pois cria uma onda de suspense inegável que consegue, e bem, prender a atenção do espectador. Neste caso, simples mas arrebatador.

EXAME

Realização: 8/10
Actores: 7/10
Argumento/Enredo: 6/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Efeitos/Fotografia: 8/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 7.2/10

Crítica feita por Sarah Queiroz


Informação

Título original: The Strangers
Título em português: Os Estranhos
Ano: 2008
Realização: Bryan Bertino
Actores: Liv Tyler, Scott Speedman e Gema Ward

Trailer:

domingo, 26 de agosto de 2012

TOP 5 Vincent Cassel

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Bonjour! Voltamos a mais um TOP e desta vez apresento-vos o meu TOP 5 de filmes do actor francês Vincent Cassel.
Vincent Cassel é definitivamente um dos melhores actores da sua geração. Ele é dos mais aclamados em França, de onde é oriundo, apesar do seu reconhecimento internacional só ter chegado com Black Swan, o que sinceramente acho incrível... Uma das razões pelas quais eu admiro imenso este actor é porque é bastante sólido e consistente durante a sua carreia, e escolhe sempre papeís incríveis e interessantes.
A lista que se segue enumera os cinco melhores filmes que, na minha opinião, Vincent Cassel entra.



1. La Haine (1995)

La Haine, realizado por Mathieu Kassovitz, é um filme que aborda a violência dos subúrbios de Paris, sendo extremamente realista e fulgrante relativamente às tensões raciais e dignidade humana. Filmado a preto e branco, num estilo muito vintage, o filme acompanha a vida de 3 homens, que demonstram o que é viver nos subúrbios de Paris. Em duas palavras, é intenso e arrebatador. É definitivamente o meu filme de eleição do Vincent Cassel, pois dá-nos uma interpretação absolutamente magistral, mesmo.

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2. Eastern Promises (2007)

Eastern Promises é um excelente filme. Para além de ser um thriller psicologicamente perfeito, conta com David Cronenberg na realização e com um excelente elenco. Apesar de ser uma personagem secundária, Cassel está fantástico neste filme. O que me surpreendeu essencialmente foi a credibilidade com que ele interpretou um membro da máfia russa em Londres, sendo francês e não a escolha óbvia para o papel. Uma sequela supostamente estava a ser preparada, mas este mês David Cronenberg já veio adiantar que o projecto foi abandonado.

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3. Black Swan (2010)

Black Swan, realizado por Daren Aronofsky, (realizador este que, pessoalmente, se tem tornado num dos meus realizadores favoritos), recebeu uma ovação em pé na altura em que saiu. Não é para menos, considero dos melhores filmes dos últimos tempos. Vincent Cassel interpreta Thomas Leroy, o director da companhia de bailado que escolhe Nina Sayers (Natalie Portman) para protagonizar o Lago dos Cisnes. Simplesmente brilhante.

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4. Mesrine (2008)

Este é daquele tipo de filmes em que o queixo cai com a interpretação do actor. Na verdade é um filme com duas partes. Vincent Cassel transforma-se neste filme, é verdadeiramente bem sucedido na criação de uma interessante e complexa personagem, culminando numa performance inesquecível. Com estes filmes, Cassel recebeu o Etoile D'Or, Lumiere Award e um Cesar para Melhor Actor. Merecedíssimo.

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5. Irreversible (2002)

Irreversible, é um filme de 2002 em que Cassel dá-nos das interpretações mais genuínas da sua carreira. Para já, este filme é uma intensa reflexão sobre a natureza das coisas, aborda temáticas verdadeiramente interessantes, não obstante ter partes particularmente fortes. Vincent Cassel contracena no filme com a sua mulher, Monica Bellucci.

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Outros


Brotherhood of the Wolf (2001)

Sheitan (2006)

Ocean's Twelve (2004)

Renegade (2004)


por Sarah Queiroz



Partilhem connosco a vossa opinião!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Shame (2011)

Michael Fassbender no seu melhor.

Steve Mc Queen está para Michael Fassbender assim como, por exemplo, Tim Burton está para Johnny Depp. Steve McQueen começa a ver em Fassbender o seu actor fetiche que, após o aclamado Hunger em 2008, voltou a contratar o actor em 2011 para Shame e em 2013 estarão de novo de volta em Twelve Years a Slave. A dupla de facto resulta e, tal com em Hunger, Steve McQueen volta a presentear-nos com um filme incrível.

Desta vez a película centraliza-se em Brandon Sullivan (Michael Fassbender), que vive sozinho em Nova York. É um indivíduo atraente e bem sucedido: uma vida normal aparentemente perfeita. Porém, Brandon esconde algo doloroso que o transtorna permanentemente e o faz viver uma segunda vida - o seu vício em sexo. Desta maneira, não consegue relacionar-se normalmente com mulheres ou manter qualquer relação romântica. Por isso mesmo, a sua vida aparentemente perfeita não é nada mais do que vazia e oca, sendo ele apenas um objecto físico que tem em mente suprir as suas necessidades a toda a hora. A chegada da sua perturbada irmã mais nova Sissy (Carey Mulligan) piora tudo.

Shame é um filme agressivo, admirável, esplêndido, ousado e provocador, que contém no seu argumento um tema tabu actual. Caracteriza na plenitude um homem viciado em sexo: masturba-se em tudo o que é sítio, é obcecado por pornografia hardcore, tem visitas frequentes de prostitutas contratadas e os flirts são uma constante no seu dia-a-dia. Esta caracterização poderia ter levado um caminho mais obsceno, no entanto o realizador Steve McQueen mostra a sua qualidade cinematográfica ao levar Shame pelo caminho oposto ao erotismo vulgar. Aliás, as inúmeras cenas de sexo são oportunas e têm o seu objectivo. Creio que o realizador fez um trabalho esplêndido na maneira como expôs o vício da personagem principal, com os silêncios cortantes e os diálogos viscerais, que se conjugam com um background mais monótono. Nesse mesmo background está patente a serenidade e o tom metálico da maior parte das cenas. Acho todo este ambiente meticulosamente bem trabalhado durante o filme, e existem cenas magistrais. Gosto igualmente o como está retratada a falta de capacidade da personagem principal em relacionar-se normalmente com pessoas e ter relacionamentos românticos, catalisando toda a sua energia nos seus vícios.

Relativamente a aspectos negativos, temos algumas cenas excessivamente longas que simplesmente cortam com o ritmo do filme, por exemplo a cena da balada New York, New York (interpretada por Carey Mulligan); apesar de compreender o simbolismo da cena e o seu objectivo, creio que a mensagem poderia ser retida na mesma pelos espectadores cortando muitos minutos. Outro aspecto que devo salientar é a sensação agridoce com que se fica no final do filme, pois esperamos por um clímax que nunca é alcançado, como se de um crescendo infinito se tratasse.

Michael Fassbender desempenha a sua personagem de uma forma soberba, não só fisicamente, mas também espiritual e psicologicamente. A sua performance era digna de uma nomeação ao Óscar - não só pela nudez,
mas pelas expressões faciais, o olhar hipnótico, o falar, a voz, enfim, tudo - mas a Academia parece esquecer e ignorar o que realmente importa no mundo cinematográfico. Talvez pensaram que uma personagem viciada em sexo não seria "digno", mas enfim, também se esqueceram de Ryan Gosling em Drive. Carey Mulligan também surpreendeu-me com a sua interpretação ousada e arriscada, mostrando que de facto é uma actriz completa.

Em suma, a minha opinião sobre Shame é bastante positiva e recomendo este filme; contudo, pode não agradar aos mais conservadores, impacientes ou para quem gosta de mais acção, sequências rápidas, ambientes mais coloridos ou dinamismos.

EXAME

Realização: 9/10
Actores: 9/10
Argumento/Enredo: 8/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Efeitos/Fotografia: 8/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 8.2/10

Crítica feita por Joana Queiroz

Informação

Título original: Shame
Título em português: Vergonha
Ano: 2011
Realização: Steve McQueen
Actores: Michael Fassbender, Carey Mulligan

Trailer:

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

The Cabin in the Woods (2011)

A inovação dos clichés do terror.


Cinco amigos vão para uma cabana remota algures na floresta. Coisas más começam a acontecer. "Oh não, not again!", devem pensar muitos vocês. E não vos censuro: À primeira vista é perceptível que a premissa é simplista ao máximo e é inevitável a sensação de que já vimos isto em algum lado. Deixem lá pensar onde... Talvez em todos os filmes de terror moderno? Os clichés estão preparados.

Mas heis que, graças à fusão de Drew Goddard e Joss Whedon, foi possível contornar esta ideia, e revoluciou-se por completo a acepção de que o cinema de terror comercial se encontra degenerado. Eu sou apaixonada por argumentos inteligentes; E em "The Cabin in the Woods" assistimos a isso mesmo, a uma verdadeira homenagem ao género terror, combinando todos os elementos do género, aderindo mesmo aos clichés. Mas é por pegar em algumas das mais conhecidas fórmulas do género que o torna inteligente, pois é propositado. É uma sátira evidente, acabando o filme por não se tornar, per si, num cliché. Acaba sim por ser, graças à dupla Goddard/Whedon, dos filmes mais surpreendentes e imaginativos dos últimos tempos, ao ser assustador, cómico e satírico.

Mas não se fica apenas por satirizar, Cabin in the Woods é um verdadeiro ressuscitar do terror moderno americano. Como já referi, é um verdadeiro tributo ao género, mas consegue ir mais além do que isso. Porque não é só o reciclar dos clichés e as inúmeras referências que tornam o filme abismal. É o facto de ser um filme sólido a nível de argumento, muitíssimo consistente a nível de realização, e é inovador! Mesmo partindo de uma premissa simples, consegue desenvolver sub-tramas, reviravoltas e uns twists particularmente interessantes, o que faz com que esteja aterradoramente brilhante. Aterrador sim, não pensem que não é um filme de terror à séria. Há mortes valentes! Devo referir em especial a sequência final, que para mim é a melhor do filme; É o culminar de todos os elementos de fantasia, terror e mitologia, que qualquer fã irá simplesmente idolatrar. É um brinde ao género da sétima arte. Mas não é só o fim, pois também na sua globalidade, está bem conseguido. É imensamente complicado escrever sobre o filme sem evidenciar spoilers... Daí não querer revelar muito da trama, para não estragar a vossa experiência cinematográfica, que decerto será muito boa. Até aconselho a verem o filme a saberem o menos possível.



Só que, infelizmente, não há filmes perfeitos, e este peca bastante nas interpretações banais que sofre. O que acho injustificável, pelo elenco de luxo que tem (uns mais conhecidos que outros) e ainda por cima sendo um filme com personagens até devidamente bem construídas (claro que cada um do grupo de amigos interpreta uma personagem-tipo, o que acho brilhantemente bem conseguido ao não fugir do convencional, propositadamente).
Qualquer pessoa que se assuma como fã de terror não pode, definitivamente, deixar de ver este filme. Não é um marco do terror, mas é, sem dúvida, dos melhores filmes de terror dos últimos tempos. É engraçado, inteligente, com a sua dose de sustos e gore, mas completamente diferente do que se está à espera. Dou imenso mérito a Goddard e a Whedon por não terem tido medo de arriscar num filme diferente, que poderia não ter sido muito bem percebido. Não é um exagero dizer que The Cabin in the Woods é brilhante em vários aspectos. Pois um filme que aparentemente parece superficial, mas depois de maneira implícita elabora uma crítica ao público insaciável de violência exacerbada em filme sem qualquer substância, é no mínimo brilhante. Mais que recomendado!


EXAME

Realização: 9/10
Actores: 6/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Efeitos/Fotografia: 8/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 9/10


Média Global: 7.6/10

Crítica feita por Sarah Queiroz


Informação 

Título original: The Cabin in the Woods
Título em português: A Casa na Floresta
Ano: 2011
Realização: Drew Goddard
Actores: Kristen Connolly, Chris Hemsworth e Anna Hutchison

Trailer:


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Dark Shadows (2012)

Redenção de Tim Burton pós-Alice? Talvez.

O regresso de Tim Burton era esperado. Desde Sweeney Todd que não vejo um bom filme de Burton. O realizador oferece-nos Dark Shadows, e é um género que Burton conhece tão bem: uma comédia colorida em tons de negro. Desta vez, existem humanos, vampiros e feiticeiras que se relacionam numa pequena cidade americana dos anos 70; quando vi as primeiras movie stills e o trailer a curiosidade preencheu-me, e, sendo fã do realizador, e especialmente da parceria Burton-Depp, tinha mesmo de ver o filme.
O filme conta-nos a história de Barnabas Collings (Johnny Depp) que nos finais do séc. XVIII, era um rico, atraente e jovem aristocrata, que estava habituado a ter tudo o que queria. Nessa altura,conhece uma rapariga chamada Angelique (Eva Green), mas Barnabas rejeita o seu amor. Devastada, ela revela ser uma feiticeira negra, e transforma-o num vampiro e enterra Barnabas vivo. Passam-se 200 anos e o vampiro é libertado do túmulo: agora nos anos 70 do séc XX, conhece os seus descendentes Collins e tem de lidar novamente com Angelique que continua a ter um sentimento obsessivo pelo vampiro.

À primeira vista, a premissa do filme é engraçada onde impera a fantasia. A história parece apelativa, sombria, elegante e forte, contudo a sua concretização não foi a melhor, tornando-se bastante desinteressante e apressada. O argumento chega mesmo a perder toda a consistência no final do filme. Temos um terceiro acto pobre, que roça a mediocridade e quase deita tudo a perder.É um verdadeiro deslize lamentável, apesar de conseguir ver a poesia na coisa. O filme também é consideravelmente grandito, com quase duas horas, mas considero que o ritmo do filme é consistente e não cansa o espectador.

Sim, Tim Burton não tem aqui o seu melhor trabalho, mas é um facto que o realizador recuperou a sua dignidade pós-Alice, mas existem as falhas já referidas na concretização do argumento. E existem mesmo alguns planos de câmara que não são os melhores. Contudo, Burton ganha pelo seu estilo sombrio característico, com alguns momentos bastante bonitos (o do coração partido, por exemplo). Tal como em muitos filmes do realizador, os elementos-chave são a direcção artística e musical: compositor Danny Elfman cria o ambiente musical da película, sendo sempre a cereja no topo do bolo. Outro aspecto positivo é a caracterização de algumas personagens, outras estão meio exageradas (parecendo uma fraca família Addams), e os excelentes cenários. Temos aqui um habitual festival psicadélico de cores, convergindo com o estilo sombrio, arrojado e negro de Burton.

O melhor da longa-metragem? O elenco. A película conta com Johnny Depp, Eva Green, Michelle Pfeiffer, Chloe Moretz, Helena Bonham Carter, Jackie Earle Haley, Gulliver McGrath, Jonny Lee Miller,
Bella Heathcote e ainda Christopher Lee e Alice Cooper. Todas as personagens são interessantes e
muito divertidas, que proporcionam momentos hilariantes. Johnny Depp está absolutamente fantástico no papel de
vampiro sensual, implacável e misterioso; contudo, destaco igualmente Eva Green como Angelique Bouchard, que nos oferece uma performance arrebatadora. Os restantes actores não sobressaem, excepto talvez a fantástica Helena Bonham Carter. Esta aproveita todos os segundos do seu tempo de antena, revelando ser das personagens secundárias, aquela com maior profundidade.

Em suma, não é definitivamente o melhor de Burton, sendo uma obra menor relativamente ao que estamos habituados. Eu gostei do filme, mas a desilusão foi inevitável. Ficamos com a sensação de que poderia ser diferente ou que poderia haver mais. Assim, poderá desiludir alguns e deliciar outros. Ganhando pela dinâmica e interacção de cor e escuridão, e a performance de Johnny Depp, peca por diversos problemas, mais pela inconsistência da narrativa. É ver para tirarem as vossas conclusões.


EXAME

Realização: 6/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 5/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Banda sonora: 8/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 6.7/10

Crítica feita por Joana Queiroz

Informação

Título original: Dark Shadows
Título em português: Sombras da Escuridão
Ano: 2012
Realização: Tim Burton
Actores: Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Helena Bonham Carter, Eva Green, Jackie Earle Haley e Christopher Lee

Trailer:



VER TAMBÉM:

Edward Scissorhands (1990) , por Joana Queiroz
Sweeney Todd (2007) , por Sara Queiroz
Alice in Wonderland (2010) , por Sara Queiroz

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

[•REC]³: Génesis (2012)

A génese de um outro filme fora da saga REC.

REC 3 era, possivelmente, dos filmes mais esperados do ano, especialmente devido às expectativas criadas após o final do segundo filme. O que terá acontecido a Angela Vidal? Porém, mal saiu o trailer, as minhas esperanças foram completamente por água a baixo, pois foi perceptível que a história não tinha rigorosamente nada a ver com o anterior, ou pelo menos não seria o seu seguimento. Mas como não gosto de ter ideias pré-concebidas, e não sendo uma criatura naturalmente malvada, vi o filme de modo bastante receptivo. Com receio de já ser conclusiva, devo dizer que o filme roça o péssimo em diversos aspectos, se não mesmo a nulidade, e é uma mancha na saga que outrora apreciava, pois conseguiu pegar, escassamente, nos elementos dos filmes anteriores, e atirá-los para o lixo. O terceiro capítulo da franquia falha em manter a tensão alta de forma consistente, da maneira brilhante que os dois primeiros filmes conseguiram. Mas convém ir por partes antes de afirmar que REC 3 é a personificação do defeito cinematográfico.

O subgénero mockumentary está a tornar-se muito popular e temos a demonstração disso através das franquias REC e Paranormal Activity. Só que em REC 3: Génesis, o realizador Paco Plaza (desta vez sozinho pois Jaume Balagueró e Paco Plaza resolveram dividir esforços para encerrarem a franquia) decidiu ceder ao estilo de câmara objectiva e cinema comercial. Terá sido uma ideia acertada? Logo aí apresenta-se a primeira grandessíssima falha desta película. Sinceramente não creio que o subgénero que consagrou a saga REC se encontre esgotado, e por essa mesma razão, achei completamente ridícula esta transição, pois despersonalizou por completo o filme. Se bem que haja quem considere que esta transição poderá apresentar uma nova abordagem ao filme e é uma lufada de ar fresco. Discordo por completo, pois o estilo found footage é que conferia aquele toque de realismo e credibilidade que colocava o espectador muito mais em cima do acontecimento. E isso é que tornava o filme aterrador. Para além deste ponto fulcral de dissociação, são ainda escassas as referências ao filmes anteriores e parece mesmo que nos deparamos com um filme de zombies autónomo bastante fraco. Quem criticou o segundo com certeza que agora o verá com olhos diferentes, pois ao menos REC 2 apresentava um seguimento e tinha história de base. Porque o principal problema em REC 3 é a nível substancial. Tem logo uma falha de base, não há um guião ou um argumento suficientemente bem estruturado e forte. E não é por ser simples que é mau, atenção. Há bastantes filmes com premissas simples muito bem sucedidas. Mas quando o simples significa nada, aí é que o caso muda de figura. Porque nada neste filme apresenta novidade, não vem trazer rigorosamente nada de interessante a esta saga. Acho que a palavra "desnecessário" é a melhor que qualifica REC 3: Génesis.

A maior parte da história passa-se na mesma linha temporal dos primeiros dois filmes (o que acho sensacional...), mostrando a festa de casamento do casal Koldo e Clara. Tudo muito bom, tudo muito bonito, até que um senhor com uma marca de mordida de um cão na mão (dos poucos elementos dos filmes anteriores) começa a demonstrar os sintomas por nós já conhecidos, dando início ao horror. Não percebo muito bem até que ponto uma história assim poderia funcionar, mesmo se fosse um filme autónomo. E claro que não poderia deixar de apontar a grande ironia do título do filme, Génesis. É que em nada remonta a origens... Várias são as vezes em que o realizador revela que foi ligeiramente precipitado e incoerente: desde a mudança super radical na Clara (Leticia Dolera), de uma doce noiva a vingadora destruidora de zombies, como as convenientes falhas narrativas para "salvar" os protagonistas (alguns zombies são super rápidos enquanto que outros são lentos como tudo). Mas o filme tem outros e mais evidentes "plot holes" que não irei aqui revelar. Enfim, prosseguindo.

Relativamente a pontos positivos, pois embora escassos, existem, há que evidenciar a melhoria em relação à caracterização dos zombies (se assim os podemos apelidar). Muito mais assustadores e horrendos, definitivamente. A química entre os dois protagonistas também é deliciosa, graças aos céus. Isto porque durante o filme ficamos mesmo a sentir por eles, pois são separados durante a carnificina e fazem imensos esforços para se reunir novamente. Claro que durante os 90 minutos somos recheados de clichés, que até prefiro não enumerar por causa dos spoilers, mas Leticia Dolera e Diego Martín até estão bastante bem enquanto o casal sofrido, especialmente na cena final que, apesar de previsível, é o que salva o filme da mediocridade.

Em suma, Paco Plaza não teve uma tarefa fácil: apresentar um filme que conseguisse superar os dois anteriores era praticamente impossível, e embora o realizador mereça reconhecimento por tentar algo diferente, o certo é que não faz jus à saga REC. Só espero que no último capítulo seja possível devolver à saga o seu merecido estatuto. Mas apesar da falha gigante que REC 3 acabou por se tornar, por alguns poderá ser apreciado. Convém é irem preparados para o que vão ver: uma comédia de terror que roça o forçado e que é completamente distinto daquilo que estão habituados.

EXAME

Realização: 5/10
Actores: 6/10
Argumento/Enredo: 4/10
Duração/Conteúdo: 4/10
Efeitos/Fotografia: 7/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 4/10

Média Global: 5/10

Crítica feita por Sarah Queiroz

Informação

Título original: [•REC]³: Génesis
Ano: 2012
Realização: Paco Plaza
Actores: Leticia Dolera, Diego Martín e Javier Botet

Trailer:




VER TAMBÉM:

REC 2 (2009) , por Sarah Queiroz

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

August Rush- O Som Do Coração (2007)

" I believe in music the way that some people believe in fairy tales. It's all around us. All you have to do... is listen"

Eu simplesmente adoro filmes de música e não, não me estou a referir apenas a musicais, se bem que também os adore. Gosto de filmes que toquem na alma com toda a sua composição sonora, de modo a que esta esteja perfeitamente interligada com as personagens, o ambiente e os restantes efeitos sonoros que acompanham o filme. E é isso que "August Rush" faz na perfeição.
O filme fala-nos de Evan Taylor ( Freddie Highmore), um prodígio musical fruto de um relacionamento de uma noite entre Lyla (Keri Russell), uma consagrada violoncelista, e Louis (Jonathan Rhys Meyers), guitarrista e vocalis
ta numa banda mais despercebida. Circunstâncias imprevisíveis obrigam Lyla e Louis a separar-se. O pai de Lyla, sem esta saber, dá à nascença o seu filho a um orfanato para que esta não estrague a sua carreira. Onze anos depois, Evan decide seguir a música o que o leva a abandonar o orfanato até ao centro de New York City, onde conhece Wizard (Robin Williams), um homem (com o visual do Bono dos U2, diga-se...) que alberga crianças abandonadas e as faz tocar nas ruas em troca de dinheiro. Ao descobrir o talento de Evan, Wizard fá-lo adoptar o nome August Rush e tocar nas ruas, mas August está destinado a encontrar os seus pais através da música, pois esta é a única coisa que os liga a todos.

Num filme como este o melhor mesmo talvez seja começar pela música. Esta é simplesmente sublime. E não, não me estou a referir às cantorias de Louis (se bem que a sua música inicial- Break- mesclada com Lyla a tocar Bach com o violoncelo está mesmo algo genial!) que não costumam ultrapassar o "normal", refiro-me mesmo a todos os sons que Mark Mancina compôs e que nos vão acompanhando nesta viagem ao mesmo tempo que August se apercebe deles também. Alguns são tão subtis e outros são tão simples como as três notas de
piano que acompanham as três personagens mas resultam na perfeição e , melhor do que isso, harmonizam-se todos lindamente e isso vê-se na Rapsódia final que é, sem tirar nem pôr, das melhores e mais inteligentes composições para cinema, da maneira como consegue sumarizar tudo aquilo que estivemos a ouvir nas últimas 2 horas! De salientar também a música gospel "Raise It Up" interpretada no filme por um grupo de igreja (um destaque para Jamia Simone Nash que tem uma voz poderosíssima apesar da sua tenra idade!), que mereceu a nomeação para o Óscar de Melhor Canção Original.

Os actores estão todos bem, mas aqueles que se destacam são mesmo Freddie Highmore (um rapazinho britânico a fazer de um prodígio musical americano e a carregar o filme daquela maneira é obra, até merecia nomeação para Óscar), Robin Williams (tem sempre aquele seu ar maluco e brincalhão mas, por vezes, também nos consegue intimidar com os seus olhares e súbitas mudanças de humor) e Terrence Howard (não aparece muito no filme e confesso que não vejo muitos filmes em que apareça mas, apesar disso, o seu olhar transmitia sempre uma sensação de compreensão e ternura ao longo do filme que não me foi indiferente).
Adorei a cinematografia. Nunca fui a New York City, mas o filme apanha planos e locais (como a Washington Square e o Central Park) da cidade que achei fascinantes e me deram mais vontade de ir visitar a "Big Apple".

Se tivesse que apontar alguma grande falha ao filme seria a estrutura do argumento em relação à duração da película. No início temos flashbacks que nos mostram a relação entre Lyla e Louis e depois passamos uma hora e meia a acompanhar August na sua busca pelos pais. Quando finalmente encontra Louis (sem nenhum dos dois saber quem o outro é), os dois só têm direito a uma cena juntos em que tocam espectacularmente guitarra. Também o final foi muito abrupto e gostaria de ver mais do que aconteceria a seguir. Eu sei o que vai acontecer mas quer dizer, após 2 horas da busca do miúdo pelos pais era pedir muito ver algumas cenas com eles todos juntos?

Muitas pessoas gostam de apontar muitos mais "erros" ao filme, tais como: Como é que ele aprende a tocar e a compôr em todos os instrumentos de um momento para o outro? Como é que a música os pode levar a encontrar-se e não é preciso mais nada? Enfim... "August Rush" é uma fantasia urbana, mas ainda é uma fantasia. Se assim quiserem é uma versão de Oliver Twist dos tempos modernos com música como motor. E é nisso que o filme ganha. Sabe que há uma história e uma mensagem a passar e que a única maneira de o fazer no curto formato de cinema é exagerar numas cenas e fazer simbolismos noutras. Sendo um conto-de-fadas contemporâneo, alguma "suspension of disbelief" é necessária e recomendada para ver o filme mas, mais do que tudo, justificada.

Concluíndo, August Rush é uma fantasia dos tempos modernos a correr ao som da música que nos mostra que não estamos sozinhos e que por mais que a vida nos maltrate ou nos separe, há sempre algo superior que nos une. Ainda que com alguns problemas, é um filme com alma e , por isso, recomendadíssimo.


EXAME

Realização: 7.5/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Efeitos/Fotografia: 8/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 7.4/10

Crítica feita por Rodrigo Mourão

Informação
Título Original: August Rush
Título em Português: August Rush- O Som do Coração
Ano: 2007
Realização: Kirsten Sheridan
Actores: Freddie Highmore, Robin Williams, Keri Russell, Jonathan Rhys Meyers, Terrence Howard
Trailer: