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domingo, 8 de junho de 2014

Especial Colaborações do Cinema: Johnny Depp e Tim Burton


"Great minds think alike", é o que se costuma dizer. E no mundo cinematográfico não poderia ser melhor aplicado. Vamos continuar o nosso novo especial: Colaborações do Cinema em que agora destacamos a grande dupla realizador/actor Tim Burton e Johnny Depp.

Johnny Depp e Tim Burton

   Johnny Depp e Tim Burton são conhecidos como a dupla mais extravagante do cinema. Desta perfeita associação resultaram filmes inesquecíveis e marcantes, muito pelo facto da química entre os dois ser quase perfeita. A irreverência e versatilidade de ambos têm tornado esta parceria numa autêntica delícia para qualquer cinéfilo. Muitos podem achar que Burton utiliza excessivamente o actor nos seus filmes, mas o certo é que quando estreia um filme de Burton sem Depp, é inevitável questionarmos o porquê do actor não ter sido utilizado. Tim Burton e Johnny Depp trabalharam juntos em 8 filmes até à data, tendo nascido destes, das personagens mais mediáticas do cinema. 

Vejamos, então, os filmes que contam com a colaboração de Johnny Depp e Tim Burton. Qual é o vosso preferido e porquê? Partilhem connosco a vossa opinião!


Edward Scissorhands (1990)

















 

O primeiro filme da dupla Burton-Depp surgiu em 1990, e é indiscutivelmente dos mais bem sucedidos, podendo mesmo ser encarado como um filme de culto. "Edward Scissor Hands" destaca-se a diversos níveis, mas o grande mérito reside no argumento original, com uma forte e dramática mensagem.

Era uma vez um castelo no topo de uma colina, onde vivia um inventor (Vincent Price) cuja maior criação é o Edward (Johnny Depp). Apesar deste possuir um carisma irresistível, não é perfeito. A trágica e súbita morte do inventor deixou-o incompleto e dotado de afiadas tesouras em vez de mãos. Edward vivia sozinho na escuridão até o dia em que uma vendedora de Avon o adoptou, passando a viver com a familia desta. E assim começou a sua fantástica aventura, e pouco a pouco vai-se tornando popular devido aos talentos que tem. Porém, apaixona-se perdidamente por Kim (Winona Ryder), filha da vendedora de cosméticos que, também, aos poucos, começa a gostar dele. No entanto, há pessoas determinadas a afugentá-lo de novo para o seu castelo.


   Esta película é bastante pessoal ao realizador, no sentido em que, num sentido metafórico, a história do filme baseia-se na infância de Tim Burton. Devo dizer que o filme toca-me imenso também. Aliás, creio já tê-lo visto pelo menos umas 15 vezes e em todas elas consigo emocionar-me como se fosse a primeira. Considero que é o  derradeiro clássico de Burton, e Johnny Depp foi absolutamente perfeito no papel de Edward. Não vejo mesmo ninguém capaz de captar a essência da personagem como Depp, o que evidencia ainda mais a versatilidade e credibilidade do actor.

Tim Burton, Vincent Price e Johnny Depp

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Ed Wood (1994)




   Após o sucesso de "Edward Scissor Hands", ficou claro que a parceria tinha vindo para ficar. E em 1994 nasceu a segunda colaboração Burton-Depp, através do filme biográfico "Ed Wood". É muito possível que seja o filme menos conhecido, uma vez que alguns consideram não possuir aquele elemento bizarro tão característico de Tim Burton. O que, honestamente, até discordo, uma vez que esta "bio-pic" é sobre uma das figuras mais estranhas da história do cinema. 

Um filme sobre a vida e o trabalho do lendário «pior realizador de todos os tempos», Edward D. Wood Jr., que se concentra no período mais conhecido da sua vida, a década de 1950, quando ele realizou «Glen or Glenda» (1953), «Bride of the Monster» (1955) e «Plano 9 dos Vampiros Zombie» (1959). Uma abordagem que não esquece o seu travestismo e a sua tocante amizade com a outrora grande mas então desempregada estrela de filmes de terror Bela Lugosi.

   Conhecido como "o pior realizador do cinema", é de louvar a interpretação de Johnny Depp, em que mais uma vez foi brilhante. Adoro a fotografia do filme, a preto e branco, o que de certa maneira remete aos tempos nos quais os factos do filme ocorreram. Em geral o filme só tem méritos, e para quem ainda não viu, recomendo mesmo!

Tim Burton, Johnny Depp e Sarah Jessica Parker

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Sleepy Hollow (1999)












   Em 1999, Tim Burton decidiu adaptar ao cinema o arrepiante clássico literário "A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça". Como era de esperar, essa transposição revelou ser de uma enorme qualidade. Gostei imenso do facto de ser extremamente criativo, pois somos brindados com momentos de humor negro, como também amedontrados com pormenores de verdadeiro terror. E pois claro, ninguém mais apto para interpretar a excêntrica personagem do que Johnny Depp. É dos meus filmes de eleição!

Ichabod Crane (Johnny Depp) é um investigador excêntrico, determinado a parar um assassino misterioso que é, supostamente, um cavaleiro sem cabeça. Katrina Van Tassel (Christina Ricci) é a bonita e misteriosa rapariga com ligações secretas ao terror sobrenatural.


   A sombria direcção de Tim Burton e a atmosfera gótica que gera são dos grandes trunfos do filme. É uma verdadeira obra-prima, deslumbrante tanto a nível visual como narrativo (isto para não falar da banda sonora. Danny Elfman é dos meus compositores preferidos sem dúvida).

Johnny Depp e Tim Burton

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Charlie and the Chocolate Factory (2005)














   Tivemos que esperar 6 anos para sermos brindados novamente com uma colaboração Depp-Burton, mas pelo menos não saímos desiludidos. "Charlie and the Chocolate Factory" foi um sucesso, tanto a nível de críticas como nas bilheteiras, e percebe-se porquê: o peculiar universo de Tim Burton encontra-se neste filme verdadeiramente exacerbado, pois deparamos-nos com uma imensidão de maravilhas. Já é sabido que qualquer filme desta parceria resulta em obras no mínimo curiosas em que os elementos abstractos se encontram ao máximo. A interpretação de Johnny Depp encontra-se novamente sem falhas, claro está.

Willy Wonka é o excêntrico proprietário de uma fábrica de chocolate e Charlie, um rapaz que vive com a sua família numa casa muito pobre. Após um longo período em que não foi visto por ninguém, Wonka subitamente decide promover um concurso mundial para escolher o herdeiro do seu império de doces... 

Johnny Depp e Tim Burton

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Corpse Bride (2005)


   Ainda no mesmo ano, Johnny Depp e Tim Burton colaboraram uma vez mais. E receio que vá ter que me repetir: todos os seus filmes são uma dádiva para o cinema. Ambos são incansáveis e não me param de surpreender com a sua originalidade e genialidade. Voltando às sua técnica de animação stop-motion, popularizada com o filme "Nightmare Before Christmas" 10 anos antes, "A Noiva Cadáver" apresenta-se como um filme surpreendente, cómico, assustador e dramático! 

Victor (Johnny Depp) tem casamento marcado com Victoria (Emily Watson), apesar de nunca se terem conhecido. Depois de ensaiarem cuidadosamente, e muitas vezes, o seu próprio casamento e Victor falhar completamente, este vai para o bosque praticar e simula a cerimónia enfiando a aliança num galho. Para sua surpresa e desespero o galho era mesmo um dedo de Emily (Helen Boham-Carter),a "Noiva Cadáver", que alega agora ser a sua noiva legal, desconhecendo que Victor não tinha qualquer intenção de casar com ela e que tudo é apenas um grande mal entendido. Victor é assim arrastado para a Terra dos Mortos, em que se depara com uma realidade completamente diferente da que se deparava na Terra dos Vivos.

Corpse Bride" surpreendeu-me imenso pela positiva. A vertente visual, o fantástico enredo satirizante e o excelente trabalho pelos actores são os elementos mais positivos do filme. Tim Burton só demonstrou que é efectivamente genial.


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Sweeney Todd (2007)












   Burton e Depp voltaram á carga dois anos depois, e as expectativas eram elevadíssimas. Sweeney Todd é um filme adaptado de um musical da Brodway, no entanto, Tim Burton confere-lhe, sem qualquer sombra de dúvida, o seu próprio estilo que é tão conhecido: aquela obscuridade e os ambientes góticos, o que torna esta obra absolutamente única! Tim Burton conseguiu fazer desta história, um grande filme. A sua realização não deixa nínguem indiferente, apresentando-nos uma visão absolutamente sua, aqueles cenários sombrios, que contrastam com o tipo musical que este filme acaba por ter. Johnny Depp encabeça um elenco que não tinha qualquer experiência em cantar, mas ainda assim fizeram um muito bom trabalho. Em Sweeney Todd, Johnny Depp obteve a sua terceira nomeação ao Óscar.

Sweeney Todd é um homem injustamente condenado à prisão, que jura vingar-se não só do cruel castigo, mas também das consequências demolidoras que o mesmo teve na mulher e na filha. Quando regressa à barbearia para a reabrir, Sweeney Todd assume-se como o Terrível Barbeiro de Fleet Street, que "rapou a cabeça de cavalheiros de quem nunca mais se ouviu falar". Para além de fabricar umas diabólicas empadas de carne, a Sra Lovett torna-se cúmplice amorosa de Sweeney...

   O filme, na minha opinião, revelou ser dos melhores de 2007. É repleto de mistérios, obscuridades, tem a sua dose sangrenta, a sua dose de músicas (muito boas mesmo, tive que comprar a banda sonora), e tem um grande enredo (acaba por ser uma história de vingança, e um defender de principios). 


Tim Burton e Johnny Depp


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Alice in Wonderland (2010)







   "Alice in Wonderland" marcou a comemoração dos 20 anos de parceria da dupla, que parece ficar cada vez mais forte. A componente "dark" de Burton e a excentricidade de Depp são sempre tão surpreendentes que é inevitável que os seus filmes sejam sucessos instantâneos de bilheteiras. E este dois elementos estão gritantes na adaptação das histórias de Lewis Carrol. É um privilégio poder-se viajar até ao magnífico mundo idealizado por Tim Burton, e este filme não é excepção. Não há igualmente palavras para descrever a forma como Johnny Depp interpretou o Mad Hatter. Verdadeiramente incrível, esperava mesmo uma nomeação ao Óscar. Ainda assim, o filme arrecadou algumas nomeações.

Alice in Wonderland de Tim Burton trata-se de uma sequela, e não de um "re-contar" ou adaptação das histórias de Lewis Carrol. Neste filme, Alice é já uma rapariga de 19 anos que, após a morte do pai, vê-se obrigada a casar de imediato. Sentido-se pressionada, Alice foge durante a festa de noivado, seguindo um coelho branco. Decidida a persegui-lo, cai numa toca de coelho, que a leva até a Wonderland, um sítio que Alice vagamente se lembra dos tempos de criança. E é aí que Alice encontra caras familiares como o Mad Hatter (Johnny Depp), Blue Caterpillar (Alan Rickman) e eventualmente a Rainha Vermelha (Helen Bonham Carter), apercebendo-se Alice que Wonderland é agora um sítio bastante diferente do que ela se recorda. Alice descobre que a sua missão é acabar com o mandato da Rainha, derrotando o seu dragão, o temível Jabberwocky, para a Rainha Branca (Anna Hathaway) reinar, como seria suposto.

   Já evidenciei que qualquer filme de Tim Burton é arrebatador de se ver, a nível visual. É mesmo impressionante os ambientes que Burton nos proporciona e que nos seduzem. No entanto, considero que a nível de argumento ficou muito aquém, ou seja, mesmo detendo incríveis cenários e intrigantes personagens, não elevaram o filme ao nível a que Burton nos habituou., atingindo por vezes níveis muito baixos.


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Dark Shadows (2012)






   Após o sucesso/fracasso de "Alice in Wonderland", o regresso de Burton era mais que esperado. O verdadeiro regresso, isto é. Só que a questão era quase que inevitável: será que os tempos áureos de Burton se extinguiram? Com Alice, não atingiu de longe o sucesso (a nível crítico) de muitos outros. "Dark Shadows" evidencia muitas das qualidades de Tim Burton, mas novamente desiludiu-me, tal como o anterior. A história é engraçada, onde impera a fantasia. E é uma comédia assumida, claro que muito mais sombria e sangrenta. Contudo, a concretização do filme deixa muito a desejar, isto é, é um filme pouco rico e além do mais, extenso. 

O filme conta-nos a história de Barnabas Collins (Johnny Depp) que nos finais do séc. XVIII, era um rico, atraente e jovem aristocrata, que estava habituado a ter tudo o que queria. Nessa altura,conhece uma rapariga chamada Angelique (Eva Green), mas Barnabas rejeita o seu amor. Devastada, ela revela ser uma feiticeira negra, e transforma-o num vampiro e enterra Barnabas vivo. Passam-se 200 anos e o vampiro é libertado do túmulo: agora nos anos 70 do séc XX, conhece os seus descendentes Collins e tem de lidar novamente com Angelique que continua a ter um sentimento obsessivo pelo vampiro.

   Continuo a preferir "Dark Shadows" ao sofrível "Alice", mas ainda assim, passou-me pela cabeça se não seria melhor Burton e Depp darem um pequeno descanso às suas colaborações. Rapidamente voltei aos sentidos é claro, mas a minha desilusão com este filme foi, quiçá, demasiado grande.




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VEREDICTO: Não há dúvidas de que, com esta dupla, a fonte de inspiração parece interminável, pois têm sempre algo de novo para mostrar. Quero mesmo acreditar que ainda têm muitas cartas para dar, e espero que assim o façam durante muitos mais anos. Só que com "Dark Shadows" fico ligeiramente de pé atrás. O meu filme preferido desta dupla é, indiscutivelmente, "Edward Scissor-Hands". É simplesmente mágico.

E o vosso? Partilhem connosco a vossa opinião!




por Sarah Queiroz